Entrevista_morru

 

Fizemos uma entrevista com Morru, participante da Lida_003 – Edição de Outono. Leia o que ele diz e não esqueça de conferir os trabalhos nessa edição.

1. Como iniciou sua relação com as artes visuais e qual sua trajetória na profissão?

Devido a minha trajetória em escola pública, eu não tinha conhecimento de arte alguma. Amava desenhar, ver coisas presentes na mídia, mas desconhecia o que era arte até entrar na faculdade de Artes Visuais, onde descobri e experienciei pela primeira vez o que era arte. A partir daquele momento, decidi ser Professor Artista, para poder trazer a arte para a realidade da escola pública, com todas suas provocações, e poder trazer provocações afetivas que acercam minha vida para dentro do meio da arte e dos espaços expositivos, com minhas obras.

Já passei por feiras universitárias, exposições coletivas como o Armazém e o Lote 7, além de meu maior meio de divulgação que é o instagram.

2. Fale um pouco sobre os trabalhos apresentados para a revista?

A série “Afeta-se” parte de afetos brutos traduzidos para o papel. Ou seja, são palavras, textos, desenhos, sombras e formas que traduzem sensações, questionamentos e sentimentos que vivencio naqueles momentos e de maneira crua os traduzo para uma folha, com toda sua potência. É a série mais longa em que venho trabalhando, estando desde 2015 em sua produção e contando com mais de 130 produzidos.

O vídeo “ansiedade” partiu da provocação da artista Telma Scherer ao pedir que traduzíssemos algo para algo. A ansiedade é algo presente em minha vida a todo segundo, inclusive no “afeta-se”, e a ansiedade é uma sensação constante de sufoco, de pensamentos, de pouca espera. Traduzido para uma visualidade, me sufoco nas próprias palavras que escrevo, em minha obra.

3. Quais as perspectivas que você vê para arte e o uso das tecnologias digitais, fale como você utiliza a tecnologia para expor seu trabalho e se isso tem lhe favorecido?

Dos trabalhos apresentados, o “afeta-se” tem seu principal meio de circulação o digital através do Instagram. Acredito que as ruas e as redes sociais são meios mais acessíveis de se ver arte e ser provocado por ela, ainda que ao mesmo tempo não se permita o tempo de espera, de fruição, de experienciação, temos um tipo de aproveitamento acelerado. Vejo vários artistas visuais que hoje em dia vem utilizando das plataformas digitais para expor seu trabalho, e vários outros que adaptam seus trabalhos a versão digital.

Acredito que as tecnologias estão ai para os mais diversos avanços, desde o uso de projetores para os espaços expositivos ou no meio da cidade, até obras que se movem com sensores ou webartes totalmente digitais. O mundo da arte na tecnologia digital está em expansão, sem caminhos definidos com certezas mas o tempo todo mostrando sua presença e sinais de “evolução”.

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