Fernando Hermógenes que participa da Lida 004 com seu trabalho Selfólio fala um pouco sobre sua pesquisa, prática e influências. Confira a entrevista abaixo.

Conte-nos um pouco sobre você e sua carreira:

Estou caminhando nessa vibe há 11 anos, começando com arte e educação e desembocando na bagunça geral. Estou interessadíssimo no modo de fazer precário, o tosco, o humor e exagero, além da reunião, afetos e diversão – meu trabalho sempre aliançado com estes tópicos, ideias e caminhos que permitem inter-ações diversas quando os acontecimentos acontecem. Gradecido sempre pelas parcerias estabelecidas ao longo desse negócio que a gente chama de carreira, como o La Plataformance-SP, Perpendicular-BH, Corpus Urbis-AP, Gira de Performance-RJ e a galera takadora de fogo em Bangladesh. Sigo apaixonado com a des-aula, a destruição desta escola como temos hoje e com cada aluni que colou comigo e eu com elis nessa jornada. Na escola eu me criei, na escola me arruinei. Falo da minha avó Sueli Saldanha, que desde o início das coisas tem me acompanhado, fotografado e apoiado incondicionalmente, com uma fidelidade irrepetível, uma encorajadora dos processos, uma escape quando a coisa tá difícil e uma vida enorme quando a coisa acontece.

Quais são as suas principais referências/influências em seu trabalho?

Eu sempre fui sou apaixonado pela infância, o Hélio e o Krasinski. Bebo constantemente nas fontes destes três experimentadores incansáveis, dando nisto: um desejo de fazer, inventar, criar, tentar, ver, poder que vai quebrando os ‘não’ tudo. A infância, especialmente, pq ali tudo é muito tranquilo, é só indo mesmo pra ver no que dá. Desde sempre na escola, primeiro como aluno e depois professor, lidar com a criança numa relação de respeito e escuta, trocas e muita ação, fortaleceu minha prática e também atravessou diversas vezes e em diferentes níveis.

Conte-nos sobre o “Selfólio” e o motivo de ter inscrito este trabalho na lida:

Inicialmente, criei o Selfólio pra brincar com a ideia de foto bonita e foto feia. Sempre me divertiu ver as pessoas fazendo muitas selfies, mesmas poses e lugares, repetindo até que uma fique bonita. Decidi postar todas as selfies que tenho – daquelas que se enquadram no feio, no bonito e também no indefinido. Pra tanto, criei (mais) um blog e passei a postar todas as selfies que eu tinha de determinado momento, como uma viagem ou evento ou comida ou bebida. Não encaro o Selfólio como uma novidade, uma proposta inédita; os Selfólios já existem, tá aí o Instagram, Facebook e uma chuva de outras plataformas nas quais as pessoas se divulgam, espalham e takam seus rostinhos pro mundo afora. Mas o meu Selfólio tá por fora (risos), por fora da regra geral e das normas. É selfie? Então bora! Quando acessei uma edição da Lida, pensei que o Selfólio seria incrível pra entrar ali, aquele monte de quadradinho na revista. Pensado e feito, tá bayfârsx!

Recentemente você participou da residência Laboratório Santista (LABxS) conte-nos um pouco sobre o projeto e como foi a sua experiência:

A experiência no Laboratório Santista foi fantástica! Ali realizei o Museu do Objeto Encontrado, entre julho e agosto, e o processo de levantar este museu esteve animado por muitas outras figuras inesquecíveis: os amigos da Colaboradora, dos GTs e outros pontos de ação no Instituto Procomum. Este museu é pra apontar a precariedade da ou na produção do artista, algo que abracei no meu modo de fazer as artes e existir no mundo. O recurso que está disponível: vamo que vamo. O projeto original compreendia a experimentação de alguns textos que escrevi em 2017, porém, os atravessamentos das pessoas conduziu o trabalho por um outro caminho: o museu como lugar de encontro, dança, festa, conversa, confissão, auê, convite. O ambiente do museu era decidido diariamente, pois as obras e as histórias nos mudavam de lugar, de assunto e interesses. Aproximadamente 90 pessoas passaram e/ou ficaram por horas no museu ao longo de 8 dias de Auê Aberto e outros dias ao longo do mês. Recebíamos doação de obras, de comidas e performances também, além da maior DJéia que este país já viu, Mariany Passos Nanne Bonny, ter tocado no museu 2 vezes. Aquele pequeno cômodo com várias instalações, cadeiras e poltronas, se tornou um ambiente de convivência, ficar, pausar, dormir, esvaziar – assim como elevar a energia a níveis incontroláveis, takar fogo literalmente, acender velas, berrar, cansar.

Você possui um extenso trabalho com gifs, fale um pouco sobre a escolha desse formato:

Os gifs surgiram a partir do Google Fotos e passei a colecionar alguns. Em seguida, abri o blog, achando divertido que eu poderia abrir uma página na web a qualquer momento e eu estaria ali me movendo all the time. Fernando Hermógenes Animado. O próximo passo foi começar a montar os assuntos e ideias pro gif, deixando que o Fotos fizesse o resto. A coleção continua. Os gifs hermogenianos foram expostos nas edições do GIFFORMANCE, organizado pela queridíssima bayfârsx artista Marcela Antunes, do Rio de Janeiro.

 

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