BlinDJ é um projeto de música eletrônica e esta presente na Lida 004. Anderson Farias, seu idealizador, fala sobre a carreira e influências.

Conte-nos um pouco sobre você e sua carreira:

Nasci com deficiência visual em 1978, tive baixa visão até mais ou menos uns 8 anos. Meu ensino fundamental (primeiro grau) foi realizado em uma escola exclusiva para cegos, e lá, entre outras habilidades, comecei a me interessar por música. Já em 1995 participei pela primeira vez de um campeonato para DJs.

Quais são as suas principais referências/influências em seu trabalho:

Minhas referências são todas das antigas quando falarmos exclusivamente em relação aos DJs: Ricardo Guedes, DJ Marky, Memê, Deep-Lick… Do novo cenário eu citaria KVSH, Make U Sweat, Bruno Martini…

Conte-nos sobre o “Clipe Deficiências” e o motivo de ter inscrito este trabalho na lida:

O clip tem realmente a intenção de evidenciar o potencial das pessoas com deficiências. Quando conheci, o poema “deficiências”, há mais de 15 anos, gostei muito e fiquei com a certeza que ali tinha algo diferente pra passar para os outros. De 2014 para cá minha esposa e eu começamos a pensar em produzir nossas próprias músicas. Em 2017, fui atrás da autora do texto, consegui a autorização pra musicá-lo e aí está. Pensamos em vários formatos pra colocar a ideia em prática, mas a falta de patrocínio nos permitiu ter uma produção bem simples, mas a essência foi mostrada: pessoas correndo atrás do sonho de produzir seu próprio som.

Quando li sobre a LIDA em um grupo de Facebook, achei que poderia ser uma ótima oportunidade pra mostrar o trabalho pra mais gente.

Como surgiu a idéia e o que motivou o início do projeto BlinDJ?

BlinDJ é uma brincadeira com as palavras Blind (cego em inglês) e DJ. Hoje todos os DJs possuem nomes artísticos bem fortes, a profissão está muito popular, não dá pra ficar só com o seu nome / sobrenome de batismo, então, juntamos as palavras e ficou bacana.

Quais foram as principais dificuldades em viabilizar o projeto?

Para produzir o clip a dificuldade foi conseguir financiamento e portanto ele está bem longe da ideia inicial passada no diálogo que Camilla e eu temos no início dele.

Como vocês observam o mercado atual dos djs no brasil?

Não só no Brasil mas no mundo o conceito de DJ mudou; hoje em dia se você não produzir seu próprio material (músicas), fica complicado atingir uma grande massa. O DJ é muito mais do que um simples tocador de músicas previamente selecionadas, ele realmente produz outros artistas, cantores, bandas e é nesse mercado que desejamos estar um dia.

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Confira mais sobre o projeto e assista o clipe “Deficiências” na quarta edição da Lida. Assine  agora, é gratuito!

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