Um modelo de negócios é um método de construção de negócios desenvolvido por Alexander Osterwalder para empresas criativas.

Seu objetivo era a simplificação do chamado plano de negócios, um documento extremamente burocrático e trabalhoso.

A ideia de um modelo de negócios artístico foi desenvolvida por mim ao adaptar o processo de Alex Osterwalder.

Basicamente, o modelo de negócios artísticos permite que artistas gerem e capturem valor com suas práticas de maneira estratégica, tendo uma visão ampla de todas as instâncias de sua produção.

Neste artigo, eu não vou me deter nos 9 passos fundamentais de um modelo de negócios. Para ter acesso a eles, basta ler o e-book 3 pilares para se desenvolver artisticamente (você encontrará o link no final da postagem).

Meu objetivo aqui, é o de apontar para a importância desse tipo de estratégia para uma carreira de sucesso.

Você já se perguntou o que faz uma galeria de arte ou um colecionador investir em determinado artista? Por que alguns jovens artistas têm seus trabalhos comprados enquanto outros não? E aqui como jovem, me refiro a carreira e não a idade.

Basicamente, o maior medo de investidores de arte em relação a artistas iniciantes é o fato de não saberem se aquele artista, e consequentemente, aquele trabalho comprado ainda estarão valorizados daqui alguns anos. Isso porque uma carreira artística é extremamente instável. Aposto que você conhece algum ex artista, uma pessoa que pensava em desenvolver uma carreira mas que a partir da primeiras dificuldades deixou de lado sua produção para fazer qualquer outra coisa. Eu conheço muitos, tanto artistas que desistiram quanto artistas que estão pensando em desistir por causa das frustrações.

Os investidores sabem de tudo isso, e esse é o motivo pelo qual eles não podem sair por aí comprando obras de artistas iniciantes sem ter a certeza que sua produção irá continuar. Lembrando que a carreira artística é desenvolvida por praticamente a vida toda de um artista, ou seja, nunca se é velho demais.

Mas e se de alguma forma esse risco fosse minimizado? Se a chance de uma carreira dar errado fosse quase zero? E se artistas pudessem demonstrar isso para os investidores, será que a realidade seria outra?

É aí que entra o modelo de negócios, pois ele é uma espécie de garantia estratégica que permite uma atuação planejada, com intenção de gerar sustentabilidade. Ou seja, um modelo de negócios permite que artistas vivam de seu trabalho e que possam ou não negociar com o mercado, isso vai depender de cada estratégia.

Em outras palavras, um modelo de negócio possibilita que artistas negociem seus trabalhos da maneira que acharem melhor, seja através de um intermediador, como uma galeria, ou seja diretamente com o público. É a estratégia que vai definir isso.

Com um modelo de negócios artísticos você ganha margem de negociação e por isso estará nas rédeas de sua produção. Empreendendo com sua própria carreira.

E a partir disso, qualquer mecanismo de produção cultural pode ser utilizado para seus planos, e não o contrário.

No Brasil isso pode se exemplificar com o uso de editais. Quando eu estava me formando, o único caminho possível parecia a inscrição em editais. De fato os editais são bem úteis, mas cansei de ver pessoas desesperadas para entrar em algum, modificando até mesmo a proposta original para se adaptar a determinada seleção. Além disso, muitos dos que conseguiam os recursos para a realização das propostas quase nunca tinham um retorno e saíam do projeto da mesma forma que entraram: sem uma estrutura sustentável.

Um Modelo de negócios pode ser muito útil nesses momentos, pois com uma estratégia bem traçada, é possível saber se determinado edital deve ou não ser usado, assim como estabelecer maneiras de obter um retorno mais concreto desses incentivos.

A verdade é que esses mecanismos foram criados para que a economia cultural se desenvolvesse, mas por falta de estratégia empreendedora, acabou se tornando um financiador de muitas propostas sem retorno. E não me refiro apenas a dinheiro, me refiro também em um retorno de público.

Não me entenda errado, pois não estou aqui dizendo que as leis de incentivo estão errada. na verdade eu acredito bastante nelas. O que me refiro é que pelo simples fato de não ter um pensamento da cultura como empreendimento, muitas vezes os resultados não são benéficos nem para artistas e nem para o público.

Se cada artista tivesse um modelo de negócios estruturado, esse cenário seria diferente.

Você pode estar pensando que para uma proposta artística ter retorno é necessário que ela seja “comercial” (entre aspas). Mas a verdade é que não é bem assim. Cada proposta pode encontrar o seu público e consequentemente a sua sustentabilidade.

Um bom exemplo pode ser visto com o cinema nacional. Há alguns anos a ancine desenvolveu o fundo setorial em parcerias com empresas de telecomunicação. Através desse fundo as empresas de audiovisual podem ter investimentos para os seus projetos, mas em troca deve dar um retorno financeiro a partir da carreira do filme. O interessante é que esse fundo pode ser usado para filmes mais comerciais ou artísticos. E isso significa que a segunda categoria, tida como um segmento com dificuldades de comercialização consegue um retorno a partir de circuitos específicos.

O que eu quero dizer é que para a arte mais experimental há sim um circuito e um público. Mas circular por esse circuito e encontrar esse público faz parte de uma estratégia empreendedora que todo artista deveria ter.

Além disso, a arte contemporânea está sempre em mudança e expansão, e eu aposto que nos próximos anos ela irá circular em lugares que hoje nem são considerados pelo sistema.

Com as possibilidades das redes, existe a chance de um contato direto entre artista e público. E essas mesmas tecnologias proporcionam maneiras diversas de comercializar a arte, maneiras nunca antes exploradas.

Público, circuito, comercialização, estratégia. Tudo isso faz parte de um modelo de negócios artísticos. E ao desenvolver o seu, você certamente terá uma visão ampla de sua prática, saberá exatamente os recursos que você necessita e como obter retorno a partir de seu trabalho.

Mas não é tão fácil assim desenvolver um. Principalmente por causa de nossa formação, que simplesmente ignorou a relação entre arte e empreendedorismo.

Muitos termos dos negócios podem parecer complicados para quem é do ramo artístico e a transposição entre os campos dá um certo trabalho. Mas quem disse que fazer arte não dá trabalho?

Eu tenho certeza que é um esforço que vale a pena e que pode trazer grandes resultados. E é claro, com a ajuda de alguém que entenda do assunto isso pode ficar mais simples e descomplicado.

Foi pensando nisso que desenvolvemos um curso online Modelo de Negócios Artísticos. Uma sequência de aulas em vídeo para te ajudar a modelar sua carreira rumo à sustentabilidade financeira. Quer saber mais? Clique aqui e conheça todos os detalhes do curso.

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