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A possibilidade do uso da internet na conexão entre arte e público

Estamos chegando ao final dessa década sem nenhuma certeza absoluta. Talvez a única coisa que podemos afirmar é que de fato a internet está completamente enraizada em nosso cotidiano e hoje já é fundamental em nossa construção da realidade. 

Esse contexto é particularmente interessante para a produção artística em diferentes níveis, mas principalmente no que diz respeito a conexão entre artistas, propostas artísticas e públicos.

Como sabemos, as investigações relacionadas a arte e as “novas” tecnologias não são exatamente “novas”. Mas alguns aspectos chamam a atenção. Um dos principais focos no uso das tecnologias na produção artística geralmente está ligada a materialidade e suas relações com a estética: com novas técnicas, surgem novas maneiras de fazer e por consequência, novos trabalhos artísticos. Mas ainda há um vasto campo a ser explorado na relação entre arte e tecnologia, e este campo está ligado à distribuição dos trabalhos, ou seja, na conexão com o público.

As grandes indústrias do entretenimento já sabem disso, e além de incorporarem as tecnologias digitais em suas materialidades – na forma -, também as utilizam para gerar uma experiência com o público, que por sua vez está cada vez mais conectado com suas “obras” favoritas. Um grande exemplo disso é o uso do stream para difundir conteúdos audiovisuais.

No caso da arte de “vanguarda” ou “autoral” isso não pode ser identificado logo de cara. É claro que temos inúmeros artistas independentes que utilizam das redes sociais ou fazem suas criações rodarem em canais digitais específicos. Mas a impressão é que isso é algo feito de forma inconsciente e na maioria das vezes sem estratégia. 

As artes visuais, particularmente, parecem ser o meio onde esses mecanismos são menos explorados. O interessante disso é que foi justamente nesse setor onde o discurso da “participação do espectador” ganhou uma força peculiar no século passado.  Foi nesse setor também que a ideia de questionar os “circuitos” ou “sistemas oficiais de circulação” teve muito peso. Não estou dizendo que discursos similares não ocorreram em outros meios, mas as chamadas artes visuais certamente se destacam.

Podemos pegar como exemplo o boom da arte postal no final dos anos 60 e início dos anos 70. Era um período de popularização tecnológica e os diversos meios impressos, com possibilidade de reprodução e circulação foram usados por diferentes artistas em lugares distintos do mundo. A proposta, como sabemos, era a de encontrar formas de distribuição artística distintas das galerias ou exposições tradicionais. A arte postal – pensada aqui de maneira ampla -, usou dos meios tecnológicos do período para  conectar arte e público e em alguns casos, burlar a censura de governos autoritários.

O que parece estranho atualmente é que poucos artistas parecem investir nos meios digitais como um mecanismo de circulação de arte que possa causar uma conexão com o público fora dos meios tradicionais. Não se usa uma publicação em pdf da mesma maneira que uma revista impressa no passado, ou um e-mail da mesma forma que uma carta ou cartão postal. É claro que temos sim quem faça isso, mas é a minoria. Inclusive, é possível encontrar mais artistas que fazem publicações impressas, sejam livros ou cartazes, por exemplo, do que digitais. 

Um outro ponto semelhante pode ser visto nas proposições artísticas. Essas práticas “relacionais” ganharam força entre os anos 90/2000. São propostas que entendem a arte como uma prática que pode manipular a cultura para construir formas de convivência coletiva.

Como disse no início deste artigo, as relações culturais atuais são afetadas pelo uso da internet. É por meio dela que articulamos formas de coletividade. Essa articulação pode ser massiva ou de grupos menores, não importa. O fato é que as nossas trocas culturais são potencializadas pelo uso dessas tecnologias.

Esse é um campo fértil para as proposições artísticas, pois com alguns dos recursos que já utilizamos em nosso dia a dia, podemos participar de experiências artísticas capazes de reordenar aquilo que entendemos por comunidade. Esse é mais um ponto interessante para a conexão entre arte e tecnologia.

Outro ponto que merece destaque é a relação direta entre artistas e público, seja na maneira que a troca acontece ou até mesmo em termos de “mercado”. 

A legitimação da obra de arte, que em outros momentos estava a cargo das instituições oficiais, agora pode se restringir a um grupo menor. Não quero proclamar a morte da instituição artística, pois acredito que uma das características do nosso tempo é a coexistência: portanto, o mercado oficial existe e existirá, mas não é o único meio.

Hoje, cada artistas pode ter responsabilidade sobre seus próprios meios de distribuição. Isso inclui divulgar e comercializar seu trabalho diretamente ao seu público. Essa é também uma maneira interessante de entender o impacto da internet na produção artística.

Se desde o célebre texto “A obra de arte na era da reprodutibilidade técnica”, de Walter Benjamin, o trabalho artístico deve ser levado em consideração a partir do seu meio de circulação, como nos aponta Nestor Garcia Canclini, nada mais interessante do que artistas que se responsabilizam por isso em seus próprios trabalhos.

Quando digo que artistas podem ter seus próprios meios de distribuição, não quero dizer que esses sejam os únicos e outros não devam ser usados. Pelo contrário, a coexistência também se faz presente aqui. 

Mas é claro que simplesmente pelo fato dessas possibilidades existirem não quer dizer que são fáceis de serem aplicadas. Primeiro porque exige um conhecimento interdisciplinar. Até aí tudo bem, já que a arte contemporânea se caracteriza pela interdisciplinaridade. Mas o problema é que não é qualquer disciplina, mas sim aquelas que artistas têm um receio, para não dizer medo. Trata-se da economia, da gestão cultural e do marketing. 

Só com a apropriação dessas disciplinas (gesto comum na arte) será possível articular práticas artísticas por meio das redes digitais de maneira crítica e verdadeiramente preocupadas com o público. Não existe uma fórmula secreta para que isso aconteça, mas é possível começar por questões básicas. 

Essa é uma investigação que irá se desdobrar ao longo dos próximos anos. E para o bem do público interessado em arte, eu espero que artistas e produtores culturais estejam dispostos a se aprofundar nessas práticas e explorá-las ao fundo, para que assim possamos melhorar nossa convivência coletiva.

***

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Os quatro pilares de uma carreira artística profissional

Se você é artista independente e quer desenvolver uma carreira artística profissional, este artigo irá te ajudar.

Aqui você irá descobrir quais são os pilares que formam uma carreira artística.

Para trabalhar profissionalmente com arte, ou como dizemos popularmente, viver de arte, você terá que focar nestes quatro pilares.

Entenda cada um deles como “pernas” de uma banqueta. 

Se tiramos uma perna, a banqueta ainda permanece de pé, porém como menos estabilidade.

Mas se tirarmos duas, o equilíbrio não é garantido. Sem três pernas então, aí então é difícil dizer que temos uma banqueta.

Uma carreira artística profissional é assim também. 

Continue lendo este artigo e descubra quais são os quatro pilares que você deve focar para profissionalizar sua carreira.

Pilar número 1: Proposta Artística

É claro que não podemos ignorar que para ter uma carreira artística é necessário ter uma proposta.

Isso pode parecer óbvio, mas muitos artistas simplesmente ignoram esse fato. Não porque não têm uma proposta, mas sim por não se preocuparem com a qualidade dessa proposta.

É de extrema importância que a sua proposta artística tenha valor cultural, e esse valor deve se refletir tanto nas questões abordadas pelo trabalho, quanto no formato. 

Ter uma proposta artística de valor é importante para pensar em uma carreira a médio e longo prazo. Também é fundamental para que poder ter um público que se interesse pelo que você faz.

Você pode até conseguir se profissionalizar por meio de trabalhos artísticos, digamos, menos interessantes (sobretudo se tiver uma atuação louvável nos outros três pilares), mas certamente não conseguirá durar muito tempo. Provavelmente não terá uma carreira estável, e sim uma carreira relâmpago. 

Temos muitos exemplos desses nos diversos meios artísticos. Músicas que ninguém mais lembra que existiram, filmes esquecidos e até mesmo obras de arte que foram vendidas por altos valores e que hoje não valem mais nada, fazendo com que seus compradores sintam um tremendo arrependimento.

Portanto, se você pensa em atuar de maneira sólida, pensando no futuro, invista na qualidade de seu trabalho: estude as técnicas, as teorias e principalmente aquilo que já foi feito em seu meio.

Pilar número 2: Marketing

De nada adianta ter o melhor trabalho de arte do mundo se o próprio mundo não sabe disso.

É imprescindível que você foque sua energia em fazer com que seu trabalho chegue até as pessoas que podem se interessar por ele.

Músicos têm ouvintes e escritores têm leitores. O mesmo vale para artistas de qualquer segmento.

E não basta achar que esse público irá encontrar seu trabalho de maneira espontânea. Isso pode até acontecer, mas não espere contar com a sorte. É responsabilidade sua fazer com que esse público conheçam a sua proposta artística. 

A atividade de marketing envolve muitas coisas, é algo complexo. Mas de uma maneira geral é importante entender que você precisa conhecer o seu público, sejam pessoas ou instituições, e precisa também gerenciar os canais pelos quais irá se comunicar com ele.

E esses canais podem ter funções diferentes. Desde fazer uma propaganda para o público alvo, até mesmo entregar seu trabalho para aqueles que o consomem.

Veja por exemplo um filme: ele pode ser promovido através de um outdoor (esse é o canal de propaganda) e pode ser entregue por meio de uma sala de cinema ou até mesmo um canal de televisão.

Essa é uma versão resumida, mas já dá pra entender um pouco sobre esse pilar. 

A grande vantagem é que com o auxílio das tecnologias digitais, essas atividades de marketing estão cada vez mais acessíveis.

Pilar número 3: Processo Operacionais (Produção)

Não adianta, você terá que dominar os processos necessários para a produção de sua atividade artística.

E quando me refiro à produção não é somente a produção cultural, ou o desenvolvimento de um projeto. Isso também.

Mas é importante saber os processos de criação, ter uma visão dos recursos necessários e ainda entender o que deve ou não ser terceirizado por meio de parcerias.

Isso faz parte do profissionalismo. Replicar processos é algo muito válido, que além de garantir qualidade, pode aumentar o rendimento e a produtividade.

Todo artista profissional têm processos operacionais bem definidos. Isso não quer dizer que esses processos não podem mudar com o passar do tempo.

Por uma questão de aperfeiçoamento, é importante que eles mudem. Mas isso deve acontecer a partir do momento em que você replica um método e percebe onde pode melhorá-lo.

Então, desenvolva uma processo operacional e profissionalize sua produção artística. Faça isso com a parte prática e burocrática também.

Com o passar do  tempo vai perceber que muitos aspectos de sua carreira irão melhorar.

Pilar número 4: Finanças

É aqui que os problemas acontecem.

Muitos artistas têm medo do dinheiro. Mas eu preciso te avisar: se você quer trabalhar profissionalmente com arte, manejar dinheiro é fundamental.

Você precisa entender como ele funciona dentro de sua estratégia de carreira. Precisa controlar essa “fera”.

Dentro das finanças de uma carreira você terá que se preocupar com pelo menos 3 aspectos básicos.

O primeiro são os custos que você tem para exercer o seu trabalho. Controlá-los faz todas a diferença.

O segundo são as formas de faturamento de sua carreira, ou seja, como você ganha dinheiro. Não preciso nem dizer que para viver de arte, é preciso ganhar alguma coisa com isso,  não é mesmo? 

E o terceiro ponto é o investimento. Em outras palavras os recursos financeiros que você vai recolocar em sua carreira visando ampliá-la ou até mesmo uma futura aposentadoria.

É claro que as finanças são mais complexas do que isso. Mas de uma forma geral, se você começar por esses pontos citados acima, já estará bem à frente no quesito profissionalismo.

Conclusão

Esse são os pilares fundamental de uma carreira artística profissional.

Cada um desses pilares pode se desdobrar em segmentos. É importante ressaltar que eles não são necessariamente elementos isolados.

A grande sacada de uma carreira artística profissional de sucesso é saber como relacionar estrategicamente cada um dos pilares. E acredite, existem inúmeras maneiras de se fazer isso, alguma melhores e outras piores, mas inúmeras.

Se você quer se aprofundar um pouco mais nesse assunto, eu convido a participar da vídeo aula gratuita “Como iniciar uma carreira artística profissional com baixo custo, lucratividade e flexibilidade”.

Nesta aula você irá entender que estes quatro pontos apresentados aqui se desdobram em nove componentes. E conhecerá também a estratégia para uma carreira artística profissional sustentável que pode ser aplicada a qualquer segmento.

Para acessar esta aula basta clicar no link abaixo e fazer o seu cadastro. 

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