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Caroline Valansi participa da quinta edição da Lida com seu trabalho “Corpo Cinético”. Confira abaixo uma entrevista com a artista, que fala um pouco sobre sua pesquisa e processo de trabalho.

A preocupação com o movimento é notável em sua série Corpo Cinético, como o próprio título se refere. O que parece estar em jogo é justamente a energia gerada a partir do movimento de dois corpos, tanto na sexualidade quanto na combinação de imagens distintas contrastando ritmicamente. Qual a importância do corpo em movimento com seu trabalho. Qual a importância do corpo em seu trabalho? Podemos dizer que além da temática essa preocupação está presente na experiência do espectador?

Parto sempre da pergunta de como posso fazer uma imagem 2d/plana virar algo em movimento. Gosto da ideia de ilusão. Como uma mágica, mostrar imagens que confundem os olhos dos espectadores, que estão atentos para determinado ponto, mas que na verdade não percebem a artimanha, o dispositivo ilusório por trás do efeito ótico. Assim, o espectador, sim, está presente na cinesia dinâmica da obra.

Essa série se deu quando achei revistas eróticas, onde mais do que os corpos, a fotografia e a luz me chamavam atenção. Preocupação rara no universo do erótico e pornô, que atentam apenas à exposição dos corpos. Pra mim, corpo é política. Os corpos femininos são sempre expostos de forma a manter uma opressão sobre eles. O sexo, ainda hoje, é cerceado por tabus morais, politizá-lo é uma forma de falar sobre ele, debatê-lo e, assim, construir uma nova linguagem que pode servir de ferramenta de objeção.

Todos nós movimentamos nossos corpos seja andando, cagando, transando… Estar no mundo é ter o corpo em movimento. Gosto do conceito do esbarrão. Esse choque casual do corpo no corpo do outro assim sem querer, seu corpo já não é mais o mesmo e não está no mesmo lugar. Na série Corpo Cinético, a ideia era deformar os corpos, já tão pré- estabelecidos e entendidos. Dar sensação de movimento. De algo infinito.

Qual a relação entre sua formação na área de cinema com suas práticas artísticas – sobretudo as colagens? Estaria na preocupação com o tempo e o movimento?

Acredito que tudo que já fiz, estudei e experimentei está presente em toda minha obra. Como um hd cerebral que a todo momento eu vou lá e abro uma pasta de arquivos antigos.

Não gosto de jogar nada fora. Muitas coisas acontecem a partir de uma ideia ou interesse,

mas percebo que a premissa do movimento em imagens paradas é algo que me segue e instintivamente está presente de alguma forma no meu trabalho.

A sexualidade também está presente em sua prática, na série corpo cinético e em outras séries também. Você poderia falar um pouco sobre como seu trabalho se envolve com a sexualidade (e obviamente com as relações de poder – e seja, sua imbricações política)?

Minha aproximação com a pornografia se deu por um histórico familiar. Venho de uma família que teve uma grande importância na construção das salas de cinemas no Brasil. A maioria delas começou exibindo filmes de arte, clássicos de produção européia, mas nos anos 1980 entraram em decadência, transformando-se em cinemas pornôs.

Em minha pesquisa atual, tenho pensado o papel da mulher dentro do pornô e sua inserção na sociedade contemporânea. Meus trabalhos tratam de sexo, erotismo, feminismos. Minhas últimas obras falam da interação entre as ideias feministas e a visão que se tem da mulher no universo da pornografia, sua objetificação, seu eterno papel de submissão, que não acontece só nas telas.

A proximidade desse universo me levou ao feminismo e aos conceitos de postporn. Essa pornografia além do obsceno me levou a pesquisar os corpos. Como nosso corpo navega pela urbe? Que vetores nos impulsionam e nos censuram? Que corpo e liberdade queremos? Como usar nosso próprio corpo no mundo? Essas são algumas questões que atravessam meu trabalho, partindo da memória afetiva familiar, passando pela memória da cidade, até chegar à memória inscrita nos corpos que habitam esse espaço.

***

Para conhecer a série “Corpo Cinético” basta fazer sua assinatura gratuita da Lida e receber diretamente em seu e-mail.

Para acessar outros trabalho e textos de Caroline Valansi, visite: http://carolinevalansi.com.br

 

 

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