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Gonçalvez marca presença na Lida_005 com sua série Gif. Confira abaixo a entrevista que fizemos com o artista.

Seu trabalho tem na loop a base da experiência. Desde pelo menos do minimalismo e da pop, até a música eletrônica inúmeros artistas vêm usando o procedimento da repetição para trazer novas formas de percepção da realidade e das materialidades que nos cercam. Qual a importância da repetição e do loop em seu processo de criação e como essa estética se relaciona com a percepção dos espectadores?

Comparto da visao do pensador Byung-Chul Han de que a linearidade do tempo esta se atomizando em nossa época, vivemos uma sociedade do instante, o GIF seria a expressão caracteristica desta época, virtualizada e rápida ainda assim ha afirmações de Hito Steyerl a favor de uma pauperização da imagem, onde ja nao haveria um encantamento pela alta definição mas pela baixa, que permite uma maior distribuição pela internet devido ao tamanho de seus arquivos. Desse modo teriamos acesso a imagens em baixa resolucao e isso redefine a nossa estética.

Como disse anteriormente, o loop (e a repetição) faz parte do mundo globalizado e mediatizado em que vivemos, presente em nossas atividades cotidianas. Os temas de seus gifs também representam atividades corriqueiras. Podemos dizer que existe uma conexão entre observar a repetição das cenas representadas dos gifs e das cenas presentes em nossa realidade?

Parte de um olhar sobre o atual, mas divididos em séries cujas temáticas possuem uma pequena variação dialógico – animações realizadas a partir de registros cotidianos; extase do instante –  tentativa de sublimar o instante através do giro, seja em danças típicas, seja em cultos religiosos brincadeiras de roda – brinquedos que rodam dão o tom das criações prevendo a produção de um curta metragem sobre a repetição na vida cotidiana; memitologia da repetição – a partir de elementos da mitologia grega, repensar os castigos atraves de memes famosos da internet.

Em todos os gifs existe uma preocupação com uma espécie de mise en scéne que remete a um pensamento cinematográfico. Você poderia falar da relação de seu trabalho com direção de cinema na realização com os gifs, levando em conta a construção cênica e a relação com o tempo e movimento?

Nas primeiras produções me debrucei sobre a problemática da narratividade contemporânea. Numa época onde há um fim da narrativa (com a instantaneidade do momento) como construir uma obra que se desenvolva, não caindo no tédio? Varios pensadores (Crary, Gaudreaut, Gunning) vêem desde os anos 80 denominando de um cinema de atração, principalmente nos primórdios quando os primeiros filmes continham elementos visuais marcantes mas não desenvolviam em uma narrativa. Atualmente eles comparam às cenas de ações em produções mercadológicas, brigas, explosões entre outras coisas que não remetem a narrativa mas funcionam como atrativo visual somente (algo que Eisenstein já previa em sua montagem de atrações). Para a última série Memitologia… utilizao os mitos no título para designar uma pequena narrativa, uma vez que sua história já traça um referente direto com a imagem, e também pelo fato de estarem descoladas de memes de internet, que já possuem uma história própria.

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Para acessar a série Gif, assine a Lida gratuitamente e receba em seu e-mail.

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