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Em Deriva, trabalho que integra a quinta edição da Lida, David Botelho relaciona vídeo e dança, enfatizando a cultura hip-hop. Confira a entrevista em que o artista comenta seu trabalho:

Seu trabalho deriva busca refletir sobre o corpo em situação de rua – um corpo marginalizado, mas que encontra na dança sua forma de resistência em uma realidade caótica. Você poderia falar um pouco sobre as motivações para a realização de deriva? 

A pesquisa veio através da história da dança de rua, precisamente no Brooklyn em Nova York. Foi um estilo que surge nos guetos por jovens da periferia como um meio de expressão, este estilo de dança é caracterizado pela agressividade. Praticada com força, o bailarino busca vincular sua realidade com os movimentos de dança, como o corpo marginalizado a mercê dos perigos urbanos, necessita se defender. No video a dança torna-se o canal de comunicação entre o morador de rua e a cidade.

Qual a relação entre seu trabalho com dança e a produção audiovisual, entre performance e vídeo? Você poderia falar um pouco sobre isso?

Comecei em 2013 a praticar dança de rua, mas foi no estilo Breaking que encontrei a forma de me apresentar tanto como bailarino quanto como pessoa. Este estilo precisa se posicionar e apresentar atitude. Com o passar do tempo vi a necessidade de registrar a dança, tentei utilizar a fotografia porém não atingia todo o potencial. Por envolver diferentes passos e planos na forma de usar o corpo, o video resolveu essa questão. Muitas vezes já tenho um rascunho em mente dos ângulos e enquadramentos para os videos, mas experimentações e improvisos são ótimos desdobramentos no momento de registrar.

Você é um pesquisador da cultura hip-hop. Como você entende esse movimento hoje após mais e menos quarenta anos de sua existência, hoje com alcance global?

O hip-hop possui 4 fundamentos: Rap, Dj, Graffiti e o Breaking. Mesmo com quarenta anos a cultura permanece com os mesmo ideais, propagar a paz, a diversão e os valores comunitários. Porém temos que entender que o hip-hop conquistou o mercado, tornou-se um produto de consumo, desvinculando seus reais valores. Muitas musicas de rap não tomam posições de denuncia e afronte as injustiças sociais, tomando posicionamentos contrários a cultura. Temos que saber filtrar o que é dito como hip-hop para não cair no esteriótipo negativo. O hip-hop transforma vidas se for transmitido de forma certa.

Como você compreende que a dança pode ser beneficiada pelo uso das novas tecnologias de comunicação?

Quando o hip-hop chega no Brasil na década de 80, era muito dificil o acesso as informações. Muitos participantes buscavam material fora do país ou muitas vezes por conversas e matérias que saiam nos jornais. Em tempos atuais tudo se tornou mais perto, conseguimos ver como o Breaking é dançado no outro lado do mundo. Assim vemos a evolução da dança, novos movimentos são criados e são divulgados pela internet. Aprender a dançar tornou-se facil, as informações e tutoriais estão cheios pelas plataformas de compartilhamento, atingindo cada vez mais pessoas. Mas muitas vezes é esquecido o valor histórico da cultura hip-hop tornando-se produto de consumo.

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Confira o trabalho deriva assinando gratuitamente a Lida.

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