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A possibilidade do uso da internet na conexão entre arte e público

Estamos chegando ao final dessa década sem nenhuma certeza absoluta. Talvez a única coisa que podemos afirmar é que de fato a internet está completamente enraizada em nosso cotidiano e hoje já é fundamental em nossa construção da realidade. 

Esse contexto é particularmente interessante para a produção artística em diferentes níveis, mas principalmente no que diz respeito a conexão entre artistas, propostas artísticas e públicos.

Como sabemos, as investigações relacionadas a arte e as “novas” tecnologias não são exatamente “novas”. Mas alguns aspectos chamam a atenção. Um dos principais focos no uso das tecnologias na produção artística geralmente está ligada a materialidade e suas relações com a estética: com novas técnicas, surgem novas maneiras de fazer e por consequência, novos trabalhos artísticos. Mas ainda há um vasto campo a ser explorado na relação entre arte e tecnologia, e este campo está ligado à distribuição dos trabalhos, ou seja, na conexão com o público.

As grandes indústrias do entretenimento já sabem disso, e além de incorporarem as tecnologias digitais em suas materialidades – na forma -, também as utilizam para gerar uma experiência com o público, que por sua vez está cada vez mais conectado com suas “obras” favoritas. Um grande exemplo disso é o uso do stream para difundir conteúdos audiovisuais.

No caso da arte de “vanguarda” ou “autoral” isso não pode ser identificado logo de cara. É claro que temos inúmeros artistas independentes que utilizam das redes sociais ou fazem suas criações rodarem em canais digitais específicos. Mas a impressão é que isso é algo feito de forma inconsciente e na maioria das vezes sem estratégia. 

As artes visuais, particularmente, parecem ser o meio onde esses mecanismos são menos explorados. O interessante disso é que foi justamente nesse setor onde o discurso da “participação do espectador” ganhou uma força peculiar no século passado.  Foi nesse setor também que a ideia de questionar os “circuitos” ou “sistemas oficiais de circulação” teve muito peso. Não estou dizendo que discursos similares não ocorreram em outros meios, mas as chamadas artes visuais certamente se destacam.

Podemos pegar como exemplo o boom da arte postal no final dos anos 60 e início dos anos 70. Era um período de popularização tecnológica e os diversos meios impressos, com possibilidade de reprodução e circulação foram usados por diferentes artistas em lugares distintos do mundo. A proposta, como sabemos, era a de encontrar formas de distribuição artística distintas das galerias ou exposições tradicionais. A arte postal – pensada aqui de maneira ampla -, usou dos meios tecnológicos do período para  conectar arte e público e em alguns casos, burlar a censura de governos autoritários.

O que parece estranho atualmente é que poucos artistas parecem investir nos meios digitais como um mecanismo de circulação de arte que possa causar uma conexão com o público fora dos meios tradicionais. Não se usa uma publicação em pdf da mesma maneira que uma revista impressa no passado, ou um e-mail da mesma forma que uma carta ou cartão postal. É claro que temos sim quem faça isso, mas é a minoria. Inclusive, é possível encontrar mais artistas que fazem publicações impressas, sejam livros ou cartazes, por exemplo, do que digitais. 

Um outro ponto semelhante pode ser visto nas proposições artísticas. Essas práticas “relacionais” ganharam força entre os anos 90/2000. São propostas que entendem a arte como uma prática que pode manipular a cultura para construir formas de convivência coletiva.

Como disse no início deste artigo, as relações culturais atuais são afetadas pelo uso da internet. É por meio dela que articulamos formas de coletividade. Essa articulação pode ser massiva ou de grupos menores, não importa. O fato é que as nossas trocas culturais são potencializadas pelo uso dessas tecnologias.

Esse é um campo fértil para as proposições artísticas, pois com alguns dos recursos que já utilizamos em nosso dia a dia, podemos participar de experiências artísticas capazes de reordenar aquilo que entendemos por comunidade. Esse é mais um ponto interessante para a conexão entre arte e tecnologia.

Outro ponto que merece destaque é a relação direta entre artistas e público, seja na maneira que a troca acontece ou até mesmo em termos de “mercado”. 

A legitimação da obra de arte, que em outros momentos estava a cargo das instituições oficiais, agora pode se restringir a um grupo menor. Não quero proclamar a morte da instituição artística, pois acredito que uma das características do nosso tempo é a coexistência: portanto, o mercado oficial existe e existirá, mas não é o único meio.

Hoje, cada artistas pode ter responsabilidade sobre seus próprios meios de distribuição. Isso inclui divulgar e comercializar seu trabalho diretamente ao seu público. Essa é também uma maneira interessante de entender o impacto da internet na produção artística.

Se desde o célebre texto “A obra de arte na era da reprodutibilidade técnica”, de Walter Benjamin, o trabalho artístico deve ser levado em consideração a partir do seu meio de circulação, como nos aponta Nestor Garcia Canclini, nada mais interessante do que artistas que se responsabilizam por isso em seus próprios trabalhos.

Quando digo que artistas podem ter seus próprios meios de distribuição, não quero dizer que esses sejam os únicos e outros não devam ser usados. Pelo contrário, a coexistência também se faz presente aqui. 

Mas é claro que simplesmente pelo fato dessas possibilidades existirem não quer dizer que são fáceis de serem aplicadas. Primeiro porque exige um conhecimento interdisciplinar. Até aí tudo bem, já que a arte contemporânea se caracteriza pela interdisciplinaridade. Mas o problema é que não é qualquer disciplina, mas sim aquelas que artistas têm um receio, para não dizer medo. Trata-se da economia, da gestão cultural e do marketing. 

Só com a apropriação dessas disciplinas (gesto comum na arte) será possível articular práticas artísticas por meio das redes digitais de maneira crítica e verdadeiramente preocupadas com o público. Não existe uma fórmula secreta para que isso aconteça, mas é possível começar por questões básicas. 

Essa é uma investigação que irá se desdobrar ao longo dos próximos anos. E para o bem do público interessado em arte, eu espero que artistas e produtores culturais estejam dispostos a se aprofundar nessas práticas e explorá-las ao fundo, para que assim possamos melhorar nossa convivência coletiva.

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Os quatro pilares de uma carreira artística profissional

Se você é artista independente e quer desenvolver uma carreira artística profissional, este artigo irá te ajudar.

Aqui você irá descobrir quais são os pilares que formam uma carreira artística.

Para trabalhar profissionalmente com arte, ou como dizemos popularmente, viver de arte, você terá que focar nestes quatro pilares.

Entenda cada um deles como “pernas” de uma banqueta. 

Se tiramos uma perna, a banqueta ainda permanece de pé, porém como menos estabilidade.

Mas se tirarmos duas, o equilíbrio não é garantido. Sem três pernas então, aí então é difícil dizer que temos uma banqueta.

Uma carreira artística profissional é assim também. 

Continue lendo este artigo e descubra quais são os quatro pilares que você deve focar para profissionalizar sua carreira.

Pilar número 1: Proposta Artística

É claro que não podemos ignorar que para ter uma carreira artística é necessário ter uma proposta.

Isso pode parecer óbvio, mas muitos artistas simplesmente ignoram esse fato. Não porque não têm uma proposta, mas sim por não se preocuparem com a qualidade dessa proposta.

É de extrema importância que a sua proposta artística tenha valor cultural, e esse valor deve se refletir tanto nas questões abordadas pelo trabalho, quanto no formato. 

Ter uma proposta artística de valor é importante para pensar em uma carreira a médio e longo prazo. Também é fundamental para que poder ter um público que se interesse pelo que você faz.

Você pode até conseguir se profissionalizar por meio de trabalhos artísticos, digamos, menos interessantes (sobretudo se tiver uma atuação louvável nos outros três pilares), mas certamente não conseguirá durar muito tempo. Provavelmente não terá uma carreira estável, e sim uma carreira relâmpago. 

Temos muitos exemplos desses nos diversos meios artísticos. Músicas que ninguém mais lembra que existiram, filmes esquecidos e até mesmo obras de arte que foram vendidas por altos valores e que hoje não valem mais nada, fazendo com que seus compradores sintam um tremendo arrependimento.

Portanto, se você pensa em atuar de maneira sólida, pensando no futuro, invista na qualidade de seu trabalho: estude as técnicas, as teorias e principalmente aquilo que já foi feito em seu meio.

Pilar número 2: Marketing

De nada adianta ter o melhor trabalho de arte do mundo se o próprio mundo não sabe disso.

É imprescindível que você foque sua energia em fazer com que seu trabalho chegue até as pessoas que podem se interessar por ele.

Músicos têm ouvintes e escritores têm leitores. O mesmo vale para artistas de qualquer segmento.

E não basta achar que esse público irá encontrar seu trabalho de maneira espontânea. Isso pode até acontecer, mas não espere contar com a sorte. É responsabilidade sua fazer com que esse público conheçam a sua proposta artística. 

A atividade de marketing envolve muitas coisas, é algo complexo. Mas de uma maneira geral é importante entender que você precisa conhecer o seu público, sejam pessoas ou instituições, e precisa também gerenciar os canais pelos quais irá se comunicar com ele.

E esses canais podem ter funções diferentes. Desde fazer uma propaganda para o público alvo, até mesmo entregar seu trabalho para aqueles que o consomem.

Veja por exemplo um filme: ele pode ser promovido através de um outdoor (esse é o canal de propaganda) e pode ser entregue por meio de uma sala de cinema ou até mesmo um canal de televisão.

Essa é uma versão resumida, mas já dá pra entender um pouco sobre esse pilar. 

A grande vantagem é que com o auxílio das tecnologias digitais, essas atividades de marketing estão cada vez mais acessíveis.

Pilar número 3: Processo Operacionais (Produção)

Não adianta, você terá que dominar os processos necessários para a produção de sua atividade artística.

E quando me refiro à produção não é somente a produção cultural, ou o desenvolvimento de um projeto. Isso também.

Mas é importante saber os processos de criação, ter uma visão dos recursos necessários e ainda entender o que deve ou não ser terceirizado por meio de parcerias.

Isso faz parte do profissionalismo. Replicar processos é algo muito válido, que além de garantir qualidade, pode aumentar o rendimento e a produtividade.

Todo artista profissional têm processos operacionais bem definidos. Isso não quer dizer que esses processos não podem mudar com o passar do tempo.

Por uma questão de aperfeiçoamento, é importante que eles mudem. Mas isso deve acontecer a partir do momento em que você replica um método e percebe onde pode melhorá-lo.

Então, desenvolva uma processo operacional e profissionalize sua produção artística. Faça isso com a parte prática e burocrática também.

Com o passar do  tempo vai perceber que muitos aspectos de sua carreira irão melhorar.

Pilar número 4: Finanças

É aqui que os problemas acontecem.

Muitos artistas têm medo do dinheiro. Mas eu preciso te avisar: se você quer trabalhar profissionalmente com arte, manejar dinheiro é fundamental.

Você precisa entender como ele funciona dentro de sua estratégia de carreira. Precisa controlar essa “fera”.

Dentro das finanças de uma carreira você terá que se preocupar com pelo menos 3 aspectos básicos.

O primeiro são os custos que você tem para exercer o seu trabalho. Controlá-los faz todas a diferença.

O segundo são as formas de faturamento de sua carreira, ou seja, como você ganha dinheiro. Não preciso nem dizer que para viver de arte, é preciso ganhar alguma coisa com isso,  não é mesmo? 

E o terceiro ponto é o investimento. Em outras palavras os recursos financeiros que você vai recolocar em sua carreira visando ampliá-la ou até mesmo uma futura aposentadoria.

É claro que as finanças são mais complexas do que isso. Mas de uma forma geral, se você começar por esses pontos citados acima, já estará bem à frente no quesito profissionalismo.

Conclusão

Esse são os pilares fundamental de uma carreira artística profissional.

Cada um desses pilares pode se desdobrar em segmentos. É importante ressaltar que eles não são necessariamente elementos isolados.

A grande sacada de uma carreira artística profissional de sucesso é saber como relacionar estrategicamente cada um dos pilares. E acredite, existem inúmeras maneiras de se fazer isso, alguma melhores e outras piores, mas inúmeras.

Se você quer se aprofundar um pouco mais nesse assunto, eu convido a participar da vídeo aula gratuita “Como iniciar uma carreira artística profissional com baixo custo, lucratividade e flexibilidade”.

Nesta aula você irá entender que estes quatro pontos apresentados aqui se desdobram em nove componentes. E conhecerá também a estratégia para uma carreira artística profissional sustentável que pode ser aplicada a qualquer segmento.

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A importância da produtividade na Criatividade

Se você está em busca de ter mais produtividade em sua carreira artística, deve ter atenção especial em seus processos operacionais.

Atualmente, a produtividade de muitas pessoas está em baixa. Com artistas não é diferente. Isso se deve a complexidade do momento em que vivemos, onde temos que tomar muitas decisões, que em alguns momentos nos deixam estagnados.

Neste artigo você vai saber mais sobre o que são os processos operacionais, sua relação com a criatividade e saber como ter um pouco mais de produtividade a partir de 5 dicas básicas.

Quer estabelecer uma forma de trabalhar que te permita ser mais produtivo e criativo, continue lendo este artigo.

Definindo Processo Operacionais

De uma forma básica, os processos operacionais são tarefas necessárias para que a coisa aconteça. 

Em relação às práticas artísticas, os processos operacionais envolvem toda e qualquer atividade de sua carreira e como essas atividade são feitas: atividades administrativas, de produção, de divulgação, de negociação, enfim, qualquer atividade.

Em outras palavras, é o “o que fazemos” e o “como fazemos”.

O fato é que com as novas tecnologias, nós temos muito mais facilidade em termos operacionais. Os aplicativos que convergem para um único aparelho, por exemplo, permitem que tenhamos na palma de nossa mão quase tudo que precisamos para realizar nossas tarefas. 

Mas, quanto maiores forem as opções, mais dificuldade teremos em tomar decisões. Atualmente, existe uma crise de produtividade por causa das novas tecnologias.

A dificuldade de produzir e seu impacto na criatividade

As pessoas sofrem com problemas de atenção, foco e objetividade. Isso porque é muito fácil ficar perdido em meio a tanta informação. 

No mundo do trabalho isso se reflete de inúmeras formas. A procrastinação, ou seja, o hábito de deixar tarefas importantes para depois é muito comum. A confusão em saber qual ferramenta usar em meio a tantas opções também é um problema considerável. 

Tudo isso, além de afetar a produtividade em si, fazendo com que nosso potencial seja dispersado em tarefas inúteis, acaba com nossa criatividade. 

Para termos criatividade é necessário um estado mental específico, onde o cérebro “vibra” em uma onda de relaxamento. E e se nos colocamos em estados muito agitados, de incertezas, relacionados ao estresse ou ansiedade, a criatividade vai por água abaixo. 

Quanto mais frustrados, ansiosos ou estressados ficamos, menor é a nossa criatividade. E quanto mais decisões (mesmo pequenas, como escolher o que vestir) tomamos, mais energia iremos desperdiçar. E como sabemos, nossa realidade é marcado pelo excesso. 

Os processos operacionais tem tudo haver com isso, já que quando estão bem estabelecidos, não perdemos tempo preocupados com coisas básicas. Todas as nossas atividades estão sob nosso controle. 

Para ter uma produtividade alta com grandes níveis de criatividade é necessário que você tenha sob seu controle as suas atividades. Sem perder tempo e energia com tarefas e decisões inúteis que desviam seu foco e consomem sua energia. 

Nós não somos máquinas e por isso temos que trabalhar em um ritmo que nos permita viver bem. Assim evitamos problemas de de saúde, o que torna nossa carreira muito mais duradoura e promissora. 

Mas como ter processos operacionais adequados? 

Vamos falar de cinco pontos básicos que podem contribuir para que seus processos operacionais sejam mais adequados. Esse pontos, são dão conta de tudo, mas podem ser um bom ponto de partida.

Ponto #1: Saber o que é ou não é importante de se fazer

É preciso que suas atividades tenham um hierarquia de importância. 

Comece mapeando o que é mais importante e que irá gerar mais resultados e exclua aquilo que é irrelevante. Uma das piores coisas para a produtividade é fazer tarefas desnecessárias. Apenas focando no que realmente importa, é possível alcançar grande resultados.

É claro que para isso é preciso estipular objetivos claros, pois é através deles que você saberá quais ações executar. Portanto, defina onde você quer chegar com sua carreira e quando. Quanto mais específico for, mais palpável será seu objetivo.

Ponto #2: Saiba quais ferramentas utilizar

Ter isso bem definido, assim como saber como usar tais ferramentas é fundamental. Isso evita uma migração constante de uma ferramenta para outra ou se perder em tantas possibilidades.

É importante limitar as ferramentas utilizadas porque assim é possível tirar o melhor de cada uma. Esse processo auxilia no aprendizado técnico.

Ponto # 3: Estabeleça uma rotina

Essa palavra pode soar anti criativa, mas na verdade não é. Com uma rotina bem planejada é possível arrumar tempo para tudo o que é importante.

Mantendo as coisas no lugar e fazendo com que sua cabeça não se mantenha ocupada com informações desnecessárias. E com a mente livre a criatividade flui da melhor maneira possível.

Ter hábitos estabelecidos permitem saber exatamente o caminho que deve ser seguido para a execução de uma tarefa. Isso irá fazer você seguir uma trilha que pode ser aperfeiçoada conforme a prática. Cada vez gastando menos energia.

Ponto #4: Dizer não

Se você quer ter uma rotina eficiente, com maior produtividade, com certeza terá que dizer a não a pessoas e situações que aparecerem e que não forem prioridades. 

Dessa maneira, você evita se comprometer com outras atividade que podem, inclusive, gerar arrependimento futuro. Então respeite a sua agenda e evite sobrecarregá-la com atividades que não sejam fundamentais. 

Ponto #5: Isolamento do ambiente de trabalho

Isso é importante para evitar interrupções. Se você quer concentração para realizar uma atividade é de extrema importância fazer com que sua concentração permaneça ativa, evitando interrupções que podem comprometê-la. 

Blinde seu ambiente de trabalho. Se você trabalha em casa e outras pessoas vivem nesse local, simplesmente avise para que não haja interrupções.

Conclusão

Com esses cinco pontos básicos você já pode iniciar sua caminhada rumo a processo operacionais mais otimizados. 

Lembre-se, quando damos um passo de cada vez, tendemos a chegar onde queremos. Então incorpore essas dicas como pequenos hábitos e veja o resultado ao longo do tempo. Sua carreira agradece.

Se você tem interesse em em desenvolver este e os outros dois pilares, ou seja, repertório artístico, modelo de negócios artísticos e os processos operacionais, eu te convido a baixar uma cópia gratuita do e-book 3 pilares para se desenvolver artisticamente.

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5 discos essenciais para entender a Música Concreta

Desenvolvida por Pierre Schaeffer, a musique concrète se refere à arte sonora que desafia as restrições e convenções comuns às quais a música está associada. Musique concrète faz a tentativa de criar música, contando principalmente com sons e ruídos ambientes / do mundo real, embora também possa usar gravações de voz humana e vários instrumentos. Esses sons podem ser transformados (às vezes até o ponto em que a fonte original é irreconhecível) e recebem certas qualidades musicais graças à repetição, à ritmização, à disposição em camadas no contraponto ou a outras técnicas formais. O nome “música concreta” contrasta com a tradicional “música abstrata”. Enquanto a música abstrata começa como uma idéia na mente do compositor e é então transformada em som, a música concreta começa com os sons já existentes, sendo a composição o último estágio de sua criação.

Separamos cinco discos deste gênero. Ouça nos links abaixo:

Ground-Zero – Revolutionary Pekinese Opera Ver.1.28 (Kakumeikyogeki)

Bernard Parmegiani – De Natura Sonorum

Graham Lambkin and Jason Lescalleet – The Breadwinner

Graham Lambkin – Salmon Run

Robert Ashley – Automatic Writing 

Entrevista Guilherme Bergamini

Guilherme Bergamini participa da lida_006 com a série Contrações.  O artista nos conta um pouco sobre seu processo criativo e algumas questões que permeiam seu trabalho. Confira a entrevista:

1- Como surgiu a ideia de Contrações? Você pode contar um pouco sobre o processo criativo da proposta?

Contrações surgiu em um momento particular de intensa emoção, a proximidade do nascimento de minha filha Malu. Em um período de expectativas e ansiedades comecei a organizar parte de meus arquivos e surgiu a ideia de construir um diálogo entre minha filha e eu. O formato de postais teve como objetivo oficializar sua identidade, pois antes mesmo de nascer, cartões postais foram enviados via correios em seu nome para o endereço de sua avó paterna. Malu nasceu em 29 de junho de 2015 e desde o dia 19 de junho ela já recebia seus postais com o carimbo oficial dos correios informando dia, mês e ano. Utilizei para fazer os postais recortes e colagens de fotografias de fachadas em Havana Velha, produzidas no ano de 2011 em Cuba, e fotografias de estradas que tirei em diversas cidades do Brasil nos últimos 10 anos.

2- Sua pesquisa artística envolve o trabalho com imagem em diferentes níveis, seja utilizando da fotografia direta ou da apropriação e recombinação de imagens. Como você vê a utilização das imagens pela arte em nosso contexto hipermidiático atual?

Acredito que produzir fotografias é externar, organizar e estruturar conceitos e ideais de forma a criarmos sentidos, que nos permitam refletir e agir direta ou indiretamente. Toda imagem é uma ação a partir de um suporte específico. A contemporaneidade cria um novo contexto de produção, divulgação e distribuição dessas imagens, em particular a fotografia. As redes sociais são os grandes mediadores dessa infindável produção imagética. Para cada publicação, um sentido que pode ser de cunho emocional e particular torna-se público nas redes. Ao mesmo tempo que milhões de fotografias são publicadas, sua “vida útil” torna-se imediata, “perecível” até que uma nova fotografia a substitua, o que às vezes acontece em questão de segundos. Nessa intensa produção e divulgação de imagens, em certo ponto cria-se um ruído de forma a “consumirmos” imagens de maneira pouco ou não reflexiva.

3- Seu trabalho Contrações vai além da fotografia e se apresenta como uma proposição artística. Qual seu interesse em propostas que ocorram ao longo do tempo?

Minha linha de trabalho está relacionada à construção de narrativas visuais, séries fotográficas onde uma temática é formulada e conceitualizada, possibilitando uma potência visual expressiva. Acredito que o tempo, nesse processo, permite pesquisa, erros e acertos, nos possibilita amadurecer e realizar um bom trabalho, que necessita passar por um processo de maturação. Consequentemente favorece a construção de uma narrativa consistente.

4- Qual sua expectativa para a conclusão da proposta? Você tem alguma ideia para quando esse dia chegar?

Os cartões postais foram concluídos no dia 10 de julho de 2015 quando postei o último da série. A intenção é torná-lo público, divulgá-lo a partir de oportunidade como essa na edição 6 da revista Mandrana. Ano passado a série foi exposta no Festival Obscura na Malásia. Quando Malu for alfabetizada, irei entregá-los dentro de uma caixa contendo jornais e revistas nacionais publicadas no dia 29 de junho de 2015, dia de seu nascimento em nossa casa às 8:35 da manhã. A força do trabalho é sintetizar um momento ímpar, a cena mais maravilhosa que pude presenciar em minha vida, que fora seu nascimento.

5- Sua pesquisa se relaciona com a política (relações de poder) de inúmeras formas. Você diria que essa é uma questão importante para você? Como?

A arte é uma ação política. Fazer arte é fazer política. Vejo a fotografia como suporte, força e expressão política. Meu trabalho é crítico mesmo quando realizo projetos mais ligados a questões emocionais e privadas, como o Contrações. Me deparo sempre com um denominador comum, que é essa força política expressiva.

6- Fale um pouco sobre suas influências artísticas em seu processo de trabalho.

Falar de influências artísticas é bem complexo pois posso enumerar diversos artistas ou movimentos que admiro e chegarei a muitos caracteres.

Pesquiso sobre a produção contemporânea, mas ainda não opino qual autor ou autora me agrada mais, pois são tantas possibilidades e representantes que em cada período me vejo direcionando para uma linha de trabalho que sofrera ou não influência de determinado(a) artista.

Tenho uma certa compulsão por livros e revistas e me vejo em um período lendo sobre a fotografia oitocentista e no outro analisando revistas estrangeiras, nacionais, sites contemporâneos etc.

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Entrevista Victor Honda

Victor Honda, artista que participa da lida_006 com o trabalho 47 minutos sobre grama fala um pouco sobre seu processo criativo. Confira abaixo a entrevista:

1. Sua pesquisa parece fazer um percurso que vai da construção de imagens ao uso do corpo no espaço em proposições artísticas. Você pode comentar essa transição? O que levou a explorar essas possibilidades da performance?

Acredito que isso tenha acontecido de maneira muito natural. Estamos sempre criando imagens e expectativas sobre a realização de um trabalho e mesmo nos trabalhos onde a performance se apresenta como “produto final a ser entregue” a construção de imagens ocorre de outras formas, nos esboços e nos primeiros passos da construção até a forma com que os elementos escolhidos e o próprio corpo irão compor a situação e o ambiente, muitas vezes de forma totalmente imagética.

A utilização do corpo nas proposições não estanca a construção de imagens, mas a modifica, passamos a ter que trabalhar com a experiência da ação e do tempo de forma mais direta passando a ter que lidar com essas possibilidades, limitações e potências de maneira muito diferente.

2. Seus trabalho 47 minutos sobre grama utiliza do corpo e do espaço para se constituir. Você pode comentar sobre a importância desses elementos em sua pesquisa artística?

É muito difícil pensar na atuação de um corpo sem visualizar o espaço no qual isso ocorre, é sempre uma conversa entre as possibilidades que cada um apresenta, um local específico onde esses diálogos ocorrem nos mostra não apenas onde, mas com que elementos matéricos e espaciais estamos lidando. Os ambientes e os corpos podem convidar ou repelir nossa presentificação e atuação nos espaços, valorizando ou negligenciando o momento em que se dá essa comunicação. Cada corpo e cada espaço carrega consigo inúmeras informações e nos apresentam diversos símbolos, eles podem não ser as questões principais nos trabalhos, mas são elementos que não podem ser ignorados durante o fazer artístico.

3. 47 minutos sobre grama é um trabalho que ocorre no tempo, e embora possamos falar das questões que a proposta envolve, é na experiência que a coisa acontece. O mesmo vale para seu trabalho Os campos estão brancos para colheita. Qual a importância do tempo nessa proposta?

É possível observar o tempo como um dos principais elementos que permeiam a obra, seja no título “47 minutos sobre grama”, que faz referência ao tempo médio gasto diariamente com a proposta, seja no desenvolvimento das plantas ou nos próprios registros que contêm datas, horários, e a própria passagem do tempo muitas vezes sendo descrita.

De certa forma o que eu queria observar nesta proposição (47 minutos sobre grama) era como todos os outros elementos (corpo, mente, energia, o repouso, a repetição, o local, as plantas…) se manifestavam e interagiam, e para isso uma performance diária e de maior duração juntamente com os registros escritos e fotográficos foram mais que necessários para a experiência como um todo, e para a análise e reflexão posterior.

Não consigo ver isso sendo feito de outra forma, acredito que , poucas respostas aparecem de maneira rápida e prefiro não confiar muito nelas, apesar de sempre carregá-las e observar suas transformações e derivações, são em ações prolongadas que se garante o tempo para que o corpo se estabeleça com o ambiente para então se manter disposto as afetividades e para que seja melhor valorizado o momento em que essas conexões acontecem.

4. Em 47 minutos sobre grama, o que percebemos é a proposição de uma experiência corporal através do contato com elementos naturais. Ao seu ver, qual a importância deste contato em nossa sensibilidade?

A busca pela interação com elementos naturais foi a princípio em relação ao movimento da vida e de que forma ela se apresentava diante da situação proposta, de como esse movimento na experiência me afetava no cotidiano, e de como o movimento do cotidiano afetava minha experiência enquanto estivesse deitado na grama ou cuidando das plantas em volta.

No entanto trabalhar com a natureza requer uma escuta muito maior, as plantas em geral demonstram esse movimento de maneira muito sutil com mudanças que requerem uma atenção redobrada, e que não envolve a percepção através apenas do olhar, é preciso sentir a natureza de outras formas, e por isso o deitar na grama, que envolve o contato direto com ela, com a terra, com a água e a umidade que se acumula. A natureza se expressa de diferentes maneiras mas é preciso aprender a escutá-la, ela nos força a trabalhar nossa sensibilidade de modo muito simples e genuíno.

5. A energia vital parece ser uma preocupação em seus trabalhos, sobretudo em Os campos estão brancos para colheita e 47 minutos sobre grama. Você poderia comentar um pouco sobre essa questão e a relação dela com sua proposições/performances/instalações?

Cada um entende isso de uma maneira bem diferente e utiliza diferentes nomes mas talvez seja algo que se entenda através da prática e da repetição. Diria que essa preocupação não seria por uma energia exclusivamente vital, mas sobre uma energia que de modo mais amplo abriga toda e qualquer coisa seja ela material ou imaterial, e sobre os fluxos de informação que essas energias nos apresentam, e como ela afeta a forma de como habitamos e interagimos com o mundo, no entanto acredito que é através da vida que isso se manifeste de maneira mais clara para a nossa percepção, mas é algo que pode ser explorado de diferentes formas nos mais diversos elementos e situações.

7. Você pode comentar um pouco sobre suas influências Artísticas?

Não sei ao certo até que ponto os nomes que citarei aqui são grandes influências artísticas ou se apenas aprecio suas criações, mas gosto bastante das instalações e projetos do Mark Dion, Elmgreen & Dragset, Hector Zamora e Willian Forsythe, as performances, happenings e proposições do grupo Gutai, Francis Alys, Andrea Fraser, Allan Kaprow, Berna Reale, Grupo EmpreZa. Gosto também além das obras, da forma com que alguns artistas como: Joseph Beuys, Abramovic, Lygia Clark e Yoko Ono observam (ou observavam) a arte e o mundo.

8. Como funciona seu processo de trabalho?

Na maioria das vezes identifico muito bem os objetos de trabalhos com os quais pretendo lidar, observando a que resultados eles podem me levar a partir de alguns testes, mas não a ponto de esgotá-los de alguma forma,mesmo sempre pensando onde quero chegar não penso em reduzir imprevistos mas procuro saber como lidar com eles. Durante os processos os próprios materiais, os lugares e os outros elementos dizem muito sobre eles mesmos, e podem mudar completamente o resultado final almejado, sendo sempre um diálogo entre essas expectativas visualizadas e as possibilidades do momento.

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Entrevista João Pereira

João Pereira fala sobre seu trabalho “Banco na Quelha”, um ensaio fotográfico com a participação do artista Jajá Rolim que faz parte da sexta edição da Lida. Confira a entrevista abaixo:

1 – O corpo e o espaço periférico são elementos integrantes de Banco na Quelha. Qual a importância desses elementos para a construção do trabalho?

 Ao ver os registros, esses são elementos que nos dão o retorno para a realidade. O visual estético que nos trás lados por muitas vezes não vistos e ignorados; esses que, no trabalho, se sobrepõe de uma forma performática que atravessa o sentido do olhar e percebe-se que se trata de algo além, o pertencer, em sua localidade como espaço e em sociedade quanto ao corpo, se auto revelando como arte e resistência.  

2 – O banco é um elemento que representa uma parte da cultura da periferia, utilizado para o bate papo da vizinhança, hábito comum em um ambiente com opções restritas de lazer (pelo menos de onde venho). Como surgiu a ideia da utilização desse elemento no ensaio?

O banco, banquinho, não veio de uma ideia específica e sim de uma mera utilização de adereços para os registros; digo que, o banco veio depois para a construção do trabalho de uma forma inusitada, em primeira ocasião como apoio ou até mesmo assento para o artista Jajá Rolim, onde ele se apropriando do objeto momentos depois nos revelou formas e ângulos novos, pensamentos e reflexões sobre sua performance. O banco no entanto agregou ao trabalho como fator de ocupação, de um lugar de fala, de estar presente.

3 – A frente das casas são lugares habitados constantemente nas periferias. A utilização desse espaço nos ensaios tem uma relação com essa rotina dos moradores? É possível fazer essa relação no trabalho?  

Essa relação vem a partir de quando pensamos que a frente da casa, ao olhar de dentro para fora, que ali existe movimento, algo para se ver. A ocupação desses espaços, seja a calçada ou a rua pelos moradores/transeuntes na periferia é mais constante, é algo que atrai olhares. No trabalho isso vem como a busca para esses olhares estranhos, olhares por muitas vezes conservadores,  que ao ver um corpo gay “bicha” pobre afeminado não-binário se sintam intrigados e que consigam perceber que ali é um espaço para todos, a rua como lugar de pluralidade.

4 – O trabalho nasce de uma conexão entre fotógrafo e performer. Fale um pouco sobre o processo de criação.

O processo veio de forma experimental, na minha perspectiva, pois a minha relação com a fotografia era muito nova e tinha desenvolvido apenas um outro trabalho (acadêmico) que não envolvia performance. Como amigos, morando juntos em um lugar totalmente novo para os dois, em Recife-PE, a busca em me desenvolver artisticamente me levou a conversas profundas com Jajá, despertando ideias novas com as quais nunca tinha trabalhado. Em uma tarde, estávamos em casa com outro amigo fotógrafo, Brunno Kawagoe, onde surgiu a ideia de um ensaio; descemos para a rua e começamos os registros e a refletir sobre o que estava acontecendo, dali veio olhares. Jajá em sua grande sabedoria corporal e intelectual me deu possibilidades de enxergar o corpo como eu nunca tinha visto ou apreciado pelas minhas lentes, me deu a oportunidade de fotografá-lo e de trazer/levar esse momento através dos meus trabalhos; ali me revelei artista com ajuda de grandes amigos.

5 – Banco na quelha é um trabalho que demonstra uma condição interessante da relação entre arte e periferia: um momento onde a representação da marginalidade pode ser feita por seus próprios integrantes, ou seja, não é mais necessário que terceiros se desloquem de uma posição central para as periferias para então gerar visibilidade. Ao meu ver isso é importante pelo fato que de a periferia pode então se representar de maneira legítima. Como você enxerga esse processo que foi facilitado pelas tecnologias de comunicação? É importante esse deslocamento?

Acredito que a periferia é um lugar independente, dali nos desenvolvemos e nos conectamos, surgem ideias, ali a gente se vira como pode. A tecnologia facilita os meios de comunicação e de distribuição, onde que, hoje encontramos vários projetos dentro de cidades periféricas aproximando os próprios moradores para questões vividas dentro da comunidade; seja por segurança, meio ambiente ou arte. Facilitar o acesso às informações através da tecnologia, algo que está em todo lugar, é dar visibilidade a quem não é visto pela sociedade, trazendo questões de reflexão e indagação. O deslocamento é interessante ao ponto em que se agrega e traz benefícios a localidade e as pessoas que ali moram, do centro a periferia, para ser algo visto e não esquecido.

6 – Quais as influências na concepção de seus trabalhos?

Bom, digo que essas influências vem de momentos e pessoas próximas, seja uma esquina ou um amigo. A maior parte vem de uma visão poética relacionada ao Turismo, curso que sou graduando na Universidade de Brasília. Em minhas viagens prezo pela descoberta, enxergar algo novo e registrar esse momento. Levo isso de uma forma íntima para que o público possa sentir talvez o que eu estava sentindo. Através da fotografia e vídeos, vou explorando novas técnicas e novas propostas; sou um artista novo ainda, acredito que seja difícil me encontrar de uma certa maneira, então sempre estou disposto a procurar novas formas de me desenvolver e de me expressar artisticamente.

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O Modelo de Negócios Artísticos e sua Importância

Um modelo de negócios artísticos permite que artistas gerem e capturem valor com suas práticas de maneira estratégica, tendo uma visão ampla de todas as instâncias de sua produção. 

Neste artigo, conhecerá a importância desse tipo de estratégia para uma carreira de sucesso.

Para que serve um Modelo de Negócios Artísticos?

Você já se perguntou o que faz uma galeria de arte ou um colecionador investir em determinado artista? Por que alguns jovens artistas têm seus trabalhos comprados enquanto outros não? E aqui como jovem, me refiro a carreira e não a idade.

Basicamente, o maior medo de investidores de arte em relação a artistas iniciantes é o fato de não saberem se aquele artista, e consequentemente, aquele trabalho comprado ainda estarão valorizados daqui alguns anos. Isso porque uma carreira artística é extremamente instável.

Aposto que você conhece algum ex artista, uma pessoa que pensava em desenvolver uma carreira mas que a partir da primeiras dificuldades deixou de lado sua produção para fazer qualquer outra coisa. Eu conheço muitos, tanto artistas que desistiram quanto artistas que estão pensando em desistir por causa das frustrações.

Os investidores sabem de tudo isso, e esse é o motivo pelo qual eles não podem sair por aí comprando obras de artistas iniciantes sem ter a certeza que sua produção irá continuar. Lembrando que a carreira artística é desenvolvida por praticamente a vida toda de um artista, ou seja, nunca se é velho demais.

Mas e se de alguma forma esse risco fosse minimizado? Se a chance de uma carreira dar errado fosse quase zero? E se artistas pudessem demonstrar isso para os investidores, será que a realidade seria outra?

É aí que entra o modelo de negócios, pois ele é uma espécie de garantia estratégica que permite uma atuação planejada, com intenção de gerar sustentabilidade. Ou seja, um modelo de negócios permite que artistas vivam de seu trabalho e que possam ou não negociar com o mercado, isso vai depender de cada estratégia.

Em outras palavras, um modelo de negócio possibilita que artistas negociem seus trabalhos da maneira que acharem melhor, seja através de um intermediador, como uma galeria, ou seja diretamente com o público. É a estratégia que vai definir isso.

Com um modelo de negócios artísticos você ganha margem de negociação e por isso estará nas rédeas de sua produção. Empreendendo com sua própria carreira.

E a partir disso, qualquer mecanismo de produção cultural pode ser utilizado para seus planos, e não o contrário.

Modelo de Negócios artísticos como uma estrutura de produção.

No Brasil isso pode se exemplificar com o uso de editais. Quando eu estava me formando, o único caminho possível parecia a inscrição em editais. De fato os editais são bem úteis, mas cansei de ver pessoas desesperadas para entrar em algum, modificando até mesmo a proposta original para se adaptar a determinada seleção.

Além disso, muitos dos que conseguiam os recursos para a realização das propostas quase nunca tinham um retorno e saíam do projeto da mesma forma que entraram: sem uma estrutura sustentável.

Um Modelo de negócios pode ser muito útil nesses momentos, pois com uma estratégia bem traçada, é possível saber se determinado edital deve ou não ser usado, assim como estabelecer maneiras de obter um retorno mais concreto desses incentivos.

A verdade é que esses mecanismos foram criados para que a economia cultural se desenvolvesse, mas por falta de estratégia empreendedora, acabou se tornando um financiador de muitas propostas sem retorno. E não me refiro apenas a dinheiro, me refiro também em um retorno de público.

Não me entenda errado, pois não estou aqui dizendo que as leis de incentivo estão errada. na verdade eu acredito bastante nelas. O que me refiro é que pelo simples fato de não ter um pensamento da cultura como empreendimento, muitas vezes os resultados não são benéficos nem para artistas e nem para o público.

Se cada artista tivesse um modelo de negócios estruturado, esse cenário seria diferente.

Um Modelo de Negócios serve para produções independentes?

Você pode estar pensando que para uma proposta artística ter retorno é necessário que ela seja “comercial” (entre aspas). Mas a verdade é que não é bem assim. Cada proposta pode encontrar o seu público e consequentemente a sua sustentabilidade.

Um bom exemplo pode ser visto com o cinema nacional. Há alguns anos a ancine desenvolveu o fundo setorial em parcerias com empresas de telecomunicação.

Através desse fundo as empresas de audiovisual podem ter investimentos para os seus projetos, mas em troca deve dar um retorno financeiro a partir da carreira do filme.

O interessante é que esse fundo pode ser usado para filmes “comerciais” ou “artísticos”. E isso significa que a segunda categoria, tida como um segmento com dificuldades de comercialização, consegue um retorno a partir de circuitos específicos.

O que eu quero dizer é que para a arte mais experimental há sim um circuito e um público. Mas circular por esse circuito e encontrar esse público faz parte de uma estratégia empreendedora que todo artista deveria ter. 

Além disso, a arte contemporânea está sempre em mudança e expansão, e eu aposto que nos próximos anos ela irá circular em lugares que hoje nem são considerados pelo chamado sistema da arte.

Com as possibilidades das redes, existe a chance de um contato direto entre artista e público. E essas mesmas tecnologias proporcionam maneiras diversas de comercializar a arte, maneiras nunca antes exploradas.

Esse cenário promissor faz com que a necessidade de um modelo de negócios artísticos seja ainda maior.

Conclusão…

Público, circuito, comercialização. Tudo isso faz parte de um modelo de negócios artísticos. E ao desenvolver o seu, você certamente terá uma visão ampla de sua prática, saberá exatamente os recursos que você necessita e como obter retorno a partir de seu trabalho.

Mas não é tão fácil assim desenvolver um. Principalmente por causa de formação do setor, que praticamente ignora a relação entre arte e empreendedorismo.

Muitos termos dos negócios podem parecer complicados para quem é do ramo artístico e a transposição entre os campos dá um certo trabalho. Mas quem disse que fazer arte não dá trabalho?

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Entrevista João Zoccoli

João Zoccoli fala sobre o processo criativo de seu ensaio fotográfico O fazer sagrado Fulni-ô, apresentado na sexta edição da lida. Confira abaixo a entrevista na íntegra.

1 – Como surgiu a ideia e a oportunidade de fazer um ensaio fotográfico com os Fulni-ô?

Bom, eu e minha família temos contato com os Fulni-ô há 18 anos e se construiu além do trabalho uma relação de família. Meu pai que foi professor sempre esteve ligado com essas questões sociais e em função disso acabamos conhecendo esse grupo na FEIARTE no ano de 2000, que era uma feira de artesanatos mundial que acontecia no Parque Barigui. A oportunidade surgiu quando eu aproveitei a vinda deles no mês de abril com o projeto que criamos de levar a cultura nas escolas e espaços culturais públicos e privados da cidade de Curitiba para a produção desse ensaio.

2 – Adentrar a um contexto cultural para realizar representações é uma responsabilidade e tanto. Você poderia contar um pouco sobre o processo de construção das fotografias e quais os cuidados tomados para, digamos assim, fazer um trabalho digno daquela comunidade?

Primeiro de tudo é chegar com respeito e sutileza depois de construir uma certa confiança, que isso vem com muito tempo de convivência ai se colocar num grau de humildade e pedir pra no caso fotografar ou produzir alguma ideia. Interessante também é saber que o tempo da nossa humanidade “branca” e muito diferente do tempo dos “indígenas” e temos que saber respeitar isso. Um acontecimento  que acho importante também é que um dia eu estava com meu pai na aldeia e era criança e eu era muito questionador, ai meu pai dizia índio não pergunta índio observa e isso sempre me acompanha até os dias de hoje quando chego em algum meio social diferente.

Ver também quais são as necessidades daquele meio social também e muito válido para se criar e se trabalhar com algo que aquela comunidade aceite e abrace como prática.

Bem o processo de construção das fotografias é bem livre e intuitivo, você tem que estar esperto para captar as sutilezas do cotidiano.

3 – Suas fotos retratam sobretudo objetos e mãos que trabalham, deixando de lado a feição das pessoas em questão. Você poderia falar um pouco sobre essa escolha e a relação com a composição das imagens?

Eu estava pensando como iria de um modo geral transmitir todo o cuidado, esmero e capricho que os povos indígenas tem com a produção de seus artefatos culturais que erroneamente muitos ainda chamam de artesanato. E ai comecei a clicar e construir dessa forma o ensaio pensando também no carácter de ritmo, musicalidade e equilíbrio de contrastes e na cor preto e branco mostrando a força da etnia.

4 – Qual a influência do trabalho sagrado Fulni-ô no seu trabalho? O que mudou em sua prática após essa experiência de campo?

Esse foi o primeiro ensaio oficial na fotografia, até entrou no evento CLIF de fotografia, através de uma convocatória nacional foi exposto na CINEMATECA  de Curitiba e na AIREZ galeria de artistas independentes. Acho q na minha prática o que mudou foi a questão de trabalhar mais livre e solto sem ficar muito preso as regras  e aquele método tradicional de organização de trabalho ou projeto.

5 – Como você vê a condição das culturas indígenas atualmente no Brasil e qual o papel da arte na manutenção e valorização dessas culturas?

 Hoje não somente hoje, a questão de qualquer sociedade marginalizada pela sociedade e por quem está no poder é uma situação de descaso e falta de conhecimento ainda se tem muito preconceito em relação aos indígenas, quilombolas, negros e LGBT’s. Não podemos negar que a nossa situação se tratando dos indígenas está crítica, é um momento delicado que como seres humanos não podemos deixar que haja qualquer retrocesso em termos culturais, ambientais, e de direitos que conquistamos com muito suor e sangue.

O papel da arte e dos artistas hoje acredito que seja mostrar, esclarecer e descobrir o que não está sendo visto pela população que ainda de certa forma é menos esclarecida em termos de informações reais e verdadeiras a respeito dos direitos humanos que temos e do que está acontecendo fora dos nossos olhos. Além de também sermos mais parceiros e trabalharmos juntos a essas comunidades se fortalecendo e trocando conhecimento.

6 – Você tem uma formação em design. Qual a influência do design na sua prática como artista visual?

Em termos de pensar sempre a cada obra realizada o equilíbrio, uma boa escolha de cores, uma boa composição  e uma mensagem clara.

7 – Você trabalha com fotografia e gravura. Poderia falar um pouco sobre a relação entre as duas técnicas no seu trabalho?

Acho que a gravura tem muito daquele lance do meu 1 ensaio fotográfico. O fazer a mão, do cuidado a cada impressão e cópia, da relação do outro tempo, do tempo do indígena. Acredito que a fotografia é mais uma linguagem e ferramenta onde vou poder explorar a temática do meu trabalho nas artes nessa mesma linha de sentir o outro tempo.

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Como desenvolver um repertório artístico

Um repertório artístico, em um sentido mais estrito, está ligado às produções que os artistas podem apresentar. Na cena musical, onde o termo é constantemente aplicado, se refere a lista de música que um artista ou grupo irá  apresentar em seu show. Ou seja, a ideia de repertório está ligada com aquilo que os artistas podem apresentar.

Mas eu tenho uma definição um pouco diferente sobre repertório artístico. Na minha visão, o repertório artístico é exatamente tudo aquilo que sabemos sobre a arte em suas diversas expressões. Aí podemos incluir experiências, conhecimentos e reflexões. Em outras palavras, aquilo que sabemos sobre a produção cultural da humanidade. Acredito que essa definição caiba mais em nosso contexto globalizado. E no caso da arte contemporânea, esse conhecimento é fundamental para a criação artística.

A partir do século XX,  a arte é compreendida como um discurso cultural. E a própria ideia de arte passa a ser enquadrada conceitualmente pelas obras.

Isso acarretou em trabalhos que têm a arte como tema, que vêm em sua própria produção uma maneira efetiva de modificá-la. A arte e todas as suas convenções de obra, artista, instituição e público, passam a ser apropriadas pelas próprias propostas artísticas em uma espécie de autocrítica.

Isso quer dizer que além de colocar certas materialidades na produção, artistas devem também estabelecer diálogos conceituais com a cultura, e isso envolve um conhecimento sobre a produção artística e cultural da humanidade.

Isso foi possível por uma aguda consciência histórica que presenciamos desde o pós guerra, que permitiu a investigação da construção cultural que envolve a própria ideia de arte. A compreensão de que a ideia de arte é uma construção histórica, social e cultura, fez com que inúmeros artistas investissem na ampliação desse discurso. Só é possível propor o que a arte pode ser a partir de um conhecimento sobre o que é ou já foi.

O ponto para nos atentarmos aqui é que, a medida que a arte passa apropriar-se de si mesma, em um movimento autocrítico, maior será o repertório artístico exigido de artistas e agentes da arte. Nesse cenário ter um conhecimento complexo sobre a arte passa a ser fundamental, tanto ou em alguns casos mais do que um conhecimento técnico.

Podemos dizer que atualmente, dentro de uma lógica da arte contemporânea, é quase impossível obter êxito em uma carreira sem ter um repertório artístico bem definido. A complexidade da significação dos trabalhos atuais não permite isso. Pois, um dos principais parâmetros para um trabalho crítico, com capacidade de interferência na realidade, é justamente a relação entre essa produção e as outras produções já feitas.

Como desenvolver um repertório artístico?

Através da apreciação, contextualização e prática. Em outras palavras, a relação com obras de arte, a contextualização que se tem dessas obras e a experiência da própria prática artística.

Essa estrutura que apresento aqui, foi desenvolvida por Ana Mae Barbosa em sua abordagem triangular no ensino das artes visuais. Se você fez licenciatura em artes visuais, provavelmente teve contato com essa proposta.

Esta proposta funciona muito bem para o aprendizado artístico com crianças, mas também é bem útil para artistas e agentes culturais que queiram utiliza-la no desenvolvimento do seu repertório.

Apreciar significa dedicar tempo no papel de espectador da arte. É justamente a relação que você desenvolve com o trabalho de terceiros. Eu costumo dizer que todo bom artista é também um espectador. Sinceramente, não vejo muitas chances de trabalhos interessantes serem feitos por quem não dedica parte de sua existência a experiência artística.

Contextualizar é colocar a experiência e o conhecimento em uma relação direta com nossa realidade.  O estudo e a reflexão são pontos fundamentais desse processo. Através deles, podemos estabelecer relações entre nossa vida cotidiana e a arte que consumimos e produzimos.

E a prática, obviamente, é a experiência de fazer, aquilo que você pratica. Através da prática ganhamos um repertório gigantesco. É o momento onde podemos assimilar aquilo que estudamos e apreciamos. Sem contar que a experiência do fazer, nos trás um conhecimento único.

Essas categorias não são exatamente lineares e por isso não seguem uma sequência. São mais como elementos complementares. A contextualização, por exemplo, serve tanto para a produção apreciada quando para a realizada.

Com o tempo, através da apreciação, da criação e da contextualização, certamente você irá desenvolver um repertório artístico muito interessante.

Como exatamente fazer isso?

Em relação a apreciação, é fundamental o consumo de arte. É necessário visitar exposições e ter contato com trabalhos de arte através de registros diversos. Também é importante, assistir a filmes, ouvir músicas, frequentar espetáculo de teatro e dança, ler e etc, para estabelecer uma relação com outras práticas artísticas.

No caso da criação, que proporciona o conhecimento prático, é necessário fazer, projetar, executar, testar, experimentar. É quando nós interferimos em nossa realidade. O importante aqui é justamente a experiência de fazer.

Para contextualizar, a melhor maneira que conheço é estudar e observar. Compreender a história da arte, a teoria, a relação entre arte e outras disciplinas. Observar a realidade, as relações culturais, as relações de poder. A reflexão também é um ponto central. É através dela que você irá estabelecer uma relação entre as obras apreciadas e produzidas e estudos feitos com a sua realidade cotidiana.

Embora desenvolver um repertório a partir desses 3 pontos seja simples. Não é nem um pouco fácil.

Na verdade requer tempo e dedicação. Imagine, a produção artística tem milhares de anos. Certamente não é fácil obter um conhecimento profundo sobre tudo isso. O avanço das tecnologias que permitem o acesso a muitas informações, acaba por produzir outra dificuldade, que é a de tomar decisões em meio ao excesso. Saber qual a trilha certa a ser seguida.

E é justamente assim que a arte se apresenta: temos muitos artistas, muitas obras, inúmeros escritos sobre essa produção, uns dizem uma coisa, outros dizem outra. Isso pensando apenas nas artes visuais. Agora, imagine se nós incluirmos aí o cinema e a música, por exemplo…

De fato, não é fácil saber como gastar o tempo e a energia em meio a tanta informação sobre uma arte múltipla.

Mas tem algo que pode te ajudar a superar essas dificuldades: saber o caminho.

Não seria muito proveitoso se você soubesse o que estudar, que trabalhos e artistas conhecer? E não seria melhor ainda se essas informações estivessem diretamente ligadas com a sua pesquisa, com a sua produção artística?

Com toda certeza seu repertório seria criado de uma maneira mais proveitosa, ganhando tempo e impulsionando sua carreira.

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