fbpx

Entrevista Lucas Alves

O artista Lucas Alves participa da quarta edição da lida. Em entrevista para o blog, comenta sobre seu trabalho, confira abaixo:


Conte-nos um pouco sobre o trabalho ‘Sem título’ e o motivo de te-lo inscrito na lida:

Eu queria retornar à percepção bidimensional dele. Porque esse trabalho é de um momento em que busco reflexões acerca da linguagem do desenho e da escultura, suas inter-relações e transformações na história da arte. Eu desenho uma linha horizontal e moldo o papel. Esse desenho linear percorre caminhos, se desenvolve pelas dobras, e o resultado é uma estrutura vertical que fixo com outra linha, agora tangível, que é a linha de pesca. Então o que estava inserido na bidimensionalidade da folha encontra a tridimensionalidade do espaço real, aí essas imagens são uma espécie de retorno: você vê o desenho de outro jeito, a partir do grupo, não mais circundando as esculturas.


Quais são as suas principais referências/influências em seu trabalho?

Eu nunca sei responder bem essa questão, porque as referências são muitas e cada trabalho carrega suas próprias. Sem falar que nunca sei se as influências a dizer são artistas, trabalhos específicos de artistas, assuntos diversos, percepções. Eu vejo muito do trajeto, do caminhar, e de questões que surgem da própria linguagem artística específica que estou trabalhando. Mas se for o caso de citar algum artista cuja obra admiro muito e que por isso me influencia de alguma forma, mesmo eu não sabendo se tem muito a ver com o que faço, eu diria Tunga. E diria Louise Bourgeois.


A sua relação com o urbano é evidente em seus trabalhos, conte-nos como surgiu a necessidade em usá-la como temática:

Recentemente expus na Galeria Casarão 34 em João Pessoa um trabalho (. Espaço .) que coloco duas peças em cerâmica idênticas, simétricas, em dois extremos do espaço expositivo. Usei o provável trajeto que os visitantes fariam: uma cerâmica era mostrada no início e a outra no final do percurso da exposição, para criar uma situação de algo já visto, de um quase déjà vu.

Eu produzi esse trabalho após um acontecimento interessante: eu estava passando pela avenida Pres. Epitácio Pessoa (João Pessoa) sentido centro e tive a sensação de estar na avenida Eng. Domingos Ferreira em Recife. Essa sensação ficou mexendo comigo, fiquei pensando muito sobre ela. Ai percebi que, nesse caso, isso ocorreu muito pela padronização das coisas na rua. Eu estava transitando por uma sucessão de estabelecimentos comerciais, por imagens que se repetem por causa das grandes lojas, franquias, e que essa sequência aparenta existir em ambas avenidas. Depois eu fiz essas duas peças no ateliê e fiquei muito envolvido com o ato de aplicar exatamente a mesma técnica manual duas vezes para tentar obter dois parecidos. Aí, para padronizar mesmo, apliquei, pós queima, tinta spray preta. Eles precisavam estar espelhados, então enviei um texto para a curadoria chamado Diretrizes Instalacionais para Ativação de Situação de Objeto como metodologia da própria sensação que eu buscava, do objeto como lugar anteriormente visitado, como imagem já vista, como discurso que se repete em outro.

Então acredito que alguns trabalhos surgem como desdobramentos da minha relação com os caminhos na cidade.


Conte-nos sobre seu trabalho “Quadrinho 001” e sua relação com a linguagem das hqs:

É interessante que esse quadrinho 001, que publico de forma independente,  já é o final do meu interesse em produzir HQs. Ele é a primeira reunião de pequenos escritos e é também a junção de experimentações nesse campo. Nessa época eu estava pensando numa produção de quadrinho mais abstrata e experimental, tanto que muitos dos desenhos eram feitos pela utilização de papel carbono e tinta guache. Fiz de tudo um pouco porque me divertia falar daquela forma. Mas acho que produzir nessa linguagem precisa de muito mais seriedade do que eu podia oferecer a ela. Foi com os quadrinhos que comecei a ler de fato. Me interessa ser leitor.

***

Para ver mais sobre seu trabalho ou entrar em contato com o artista:
instagram.com/alves.lcs / cargocollective.com/lalves / alveslcontato@gmail.com

Confira também o trabalho “sem título” na lida. Assine gratuitamente e receba sempre as novas edições.

Entrevista Mateus Francisco

Mateus Francisco participa da lida_004 com seu trabalho Rua dos bobos, confira a entrevista feita com o artista:


Conte-nos um pouco sobre você e sua carreira:

Meu nome é Mateus, tenho 24 anos e sou estudante antes de qualquer coisa. Eu sou natural de Bragança Paulista onde ainda moro com a minha família, vivo no bairro da Vila Motta onde crescí jogando bola na rua Santo Antônio e pixando muros do “rio bosteiro” no Lavapés.

Entendendo a palavra carreira como caminho ao invés de entende-la como inserção num mercado específico eu acredito que meu interesse pela imagem, por arte ou algo nesse sentido começa com o Pixo propriamente. O mistério que envolvia aqueles nomes, lugares e os fantasmas de seus autores me encantava profundamente, portanto foi isso que fui fazer inicialmente, passando depois pros “bomb’s” e grapixos, sempre referenciando e acompanhado de um bando que começou a se unir em amizade na rua Santo Antônio e que entre o final da infância e fim da adolescência foi pra mim de grande importância e, no meio deles foi que decidi por estudar arte. Paralelo e depois disso trabalhei em oficina auto-elétrica, em fábrica do setor alimentício como terceirizado e até recentemente eu trabalhava como motoboy. Trabalhos que estranhamente também me influenciaram a estudar arte.  

Entrei na universidade pública, Unesp-Bauru, um tempinho curto na UFMG e atualmente to de volta a Unesp mas agora no instituto de artes de São Paulo, sempre no curso de Artes Visuais. Também sou militante da Frente de Esquerda Bragantina e voluntário numa ONG que é a Comunidade Sorriso em reconstrução no bairro do Cruzeiro.


Quais são as suas principais referências/influências em seu trabalho?

Minha principal referência é do lugar mesmo onde eu vivo, da arquitetura bruta dos subúrbios, tijolo, concreto e massa corrida, essas construções feitas completamente por pedreiros e não por arquitetos. Acho que há uma potência aí, uma potência estética a ser explorada, resgatada e emergida da utilização prática do dia-a-dia.  


Conte-nos um pouco sobre o trabalho Rua dos bobos e o motivo de ter inscrito este trabalho na lida:

Rua dos bobos é uma série de desenhos coloridos digitalmente onde eu exploro com o traço variações construtivas em perspectiva de linhas paralelas, essas construções tem sua raiz na observação de padrões, irregularidades e singularidades da construção civil suburbana. O título “Rua dos bobos” faz referência a música “A casa” de Vinícius de Moraes, que em primeira instância se relaciona com a própria série de construções isoladas que podem ser organizadas uma ao lado da outra ou uma depois da outra como numa rua de bairro, e segundo com a própria estrutura dos desenhos que não são mais do que linhas num espaço bidimensional. Também devo dizer que o paradoxo colocado nesta música foi de grande valor para o inicio dos desenhos que desembocaram nesta série. Outra coisa é q os 3 desenhos publicados na revista são uma seleção da série que tem mais de 20 desenhos. O motivo de querer pública-los é experimentar plataformas diversas de exposição que a série permite, além da Lida, esta série já foi organizada em zine e exposta na Galeria Alcindo do Instituto de Artes da Unesp.        


Estando cursando faculdade de Artes Visuais no momento, quais linguagens mais te surpreenderam e quais você não teve contato ainda, mas gostaria de poder ter acesso?

A pintura e o desenho se tornaram surpreendentemente importantes pra mim, o processo de me apropriar dessas duas linguagens foi um grande aprendizado e devo isso ao ambiente propício da minha escola, que apesar das dificuldades ainda é um ótimo lugar pra se estudar arte.

Eu pretendo me aproximar mais da construção civil, dos seus materiais básicos e sua técnicas, em geral do que trata o ofício do pedreiro e se possível entender ou desenvolver uma especie de linguagem artística que parta daí.      


Qual é a sua perspectiva profissional, considerando o cenário artístico atual brasileiro?

Me parece que hoje está em emergência o aspecto fetichista da mercadoria artística, que baseando-se num assentamento do desenvolvimento e rupturas estéticas da arte, tem ao seu dispor uma variedade infindável de produtos artísticos, todos eles considerados com valores intrínsecos de conquistas libertadoras, mesmo aqueles que reproduzem a operação duchampiana de questionamento do valor e estatuto do objeto artístico, pois esta operação não parece ter questionado ou rompido com este aspecto do mercado de arte, na real aparentemente o fortaleceu. Neste sentido parece haver duas vias possíveis de atuação: uma é tentar inserir o que eu faço neste cenário, no mercado de arte propriamente. A outra é inventar estratégias ou me inserir em projetos que visem a experiência artística não-mercadológica, e uma consciência de classe me faz desejar verdadeiramente esta última opção.

***

Para acessar esse e outros trabalhos,  assine gratuitamente a lida.

Entrevista BlinDJ

BlinDJ é um projeto de música eletrônica e está presente na lida_004. Anderson Farias, seu idealizador, fala sobre a carreira e influências.


Conte-nos um pouco sobre você e sua carreira:

Nasci com deficiência visual em 1978, tive baixa visão até mais ou menos uns 8 anos. Meu ensino fundamental (primeiro grau) foi realizado em uma escola exclusiva para cegos, e lá, entre outras habilidades, comecei a me interessar por música. Já em 1995 participei pela primeira vez de um campeonato para DJs.


Quais são as suas principais referências/influências em seu trabalho:

Minhas referências são todas das antigas quando falarmos exclusivamente em relação aos DJs: Ricardo Guedes, DJ Marky, Memê, Deep-Lick… Do novo cenário eu citaria KVSH, Make U Sweat, Bruno Martini…


Conte-nos sobre o “Clipe Deficiências” e o motivo de ter inscrito este trabalho na lida:

O clip tem realmente a intenção de evidenciar o potencial das pessoas com deficiências. Quando conheci, o poema “deficiências”, há mais de 15 anos, gostei muito e fiquei com a certeza que ali tinha algo diferente pra passar para os outros. De 2014 para cá minha esposa e eu começamos a pensar em produzir nossas próprias músicas. Em 2017, fui atrás da autora do texto, consegui a autorização pra musicá-lo e aí está. Pensamos em vários formatos pra colocar a ideia em prática, mas a falta de patrocínio nos permitiu ter uma produção bem simples, mas a essência foi mostrada: pessoas correndo atrás do sonho de produzir seu próprio som.

Quando li sobre a LIDA em um grupo de Facebook, achei que poderia ser uma ótima oportunidade pra mostrar o trabalho pra mais gente.


Como surgiu a idéia e o que motivou o início do projeto BlinDJ?

BlinDJ é uma brincadeira com as palavras Blind (cego em inglês) e DJ. Hoje todos os DJs possuem nomes artísticos bem fortes, a profissão está muito popular, não dá pra ficar só com o seu nome / sobrenome de batismo, então, juntamos as palavras e ficou bacana.


Quais foram as principais dificuldades em viabilizar o projeto?

Para produzir o clip a dificuldade foi conseguir financiamento e portanto ele está bem longe da ideia inicial passada no diálogo que Camilla e eu temos no início dele.


Como vocês observam o mercado atual dos djs no brasil?

Não só no Brasil mas no mundo o conceito de DJ mudou; hoje em dia se você não produzir seu próprio material (músicas), fica complicado atingir uma grande massa. O DJ é muito mais do que um simples tocador de músicas previamente selecionadas, ele realmente produz outros artistas, cantores, bandas e é nesse mercado que desejamos estar um dia.

***

Confira mais sobre o projeto e assista o clipe Deficiências na quarta edição da lidaAssine  agora, é gratuito!

Entrevista Lucas Gervilla

Lucas Gervilla  participa da lida_004 com dois trabalhos, Postais Soviéticos (individual) e Ruínas|Ruídos – De Detroit a Moscou (em parceria com Mônica Toledo), confira abaixo a entrevista em que o artista fala sobre as propostas apresentadas e sua trajetória.


Conte-nos um pouco sobre você e sua carreira:

Comecei a trabalhar com audiovisual ainda em 2005, quando ainda estava no curso de Comunicação em Multimeios, na PUC-SP. De lá pra cá, nunca parei. Trabalhei em diversas áreas, desde a criação de vídeos para cenários de shows musicais, institucionais, ficção, documentários sobre os mais variados temas, vídeo performance, live cinema, enfim, um pouco de tudo. Mas sempre com imagens em movimento, seja nos meus próprios trabalhos ou colaborando com outros artistas. Atualmente, sou mestrando no Instituto de Artes da UNESP.


Em 2017 você  participou de uma residência em moscou, conte- nos como foi essa experiência e os trabalhos que nasceram desta viagem:

A ideia de ir para Moscou já era antiga, mas só se concretizou no ano passado. A residência só foi possível graças ao Prince Claus Fund, da Holanda, que patrocinou os custos da viagem. O principal objetivo foi realizar as gravações e intervenções para um trabalho meu chamado “Abandonamento”, uma série de intervenções temporárias realizadas através de projeções de vídeo em lugares abandonados. Esse trabalho surgiu originalmente em 2013, estou desenvolvendo uma nova etapa dele para o mestrado, onde combino intervenções em lugares abandonados na Rússia e no Brasil.

A experiência lá foi única! A Rússia é muita coisa para um país só. Mesmo tendo feito um curso de alfabetização em cirílico e aprendido algumas expressões básica, me senti como um analfabeto em várias situações. Mas isso não impediu o bom andamento das coisas, o tempo todo tinha que fazer adaptações no que tinha planejado, o que, na maioria das vezes, trouxe resultados bem interessantes. A residência aconteceu junto ao CCI Fabrika, um centro cultural de Moscou. Toda a equipe foi solícita e ajudou bastante na realização do trabalho.

Fiquei lá um mês. Nesse período produzi muito material em vídeo e fotos, não só para o “Abandonamento”. Uma parte desse material foi o que deu origem aos meus trabalhos apresentados nessa edição da Lida. Ainda tenho muitas outras coisas que deverão ser incorporadas a trabalhos futuros.


Nesta edição da LIDA podemos encontrar dois trabalhos seus, o Cartões-postais | Monumentos Soviéticos, e o Ruínas|Ruídos – De Detroit a Moscou, que é uma parceria com Mônica Toledo. Conte-nos sobre ambos, nos postais quem são os personagens que foram retratados?  e no Ruínas, como foi a busca por estes locais abandonados ?

Andando por Moscou é muito fácil se deparar com grandes monumentos e estátuas: nas estações de metrô, praças, parques, avenidas…em todo canto tem um. Em geral, eles tem um ar de imponência e são feitos para serem admirados de baixo para cima. Uma boa parte desses monumentos retratam conquistas  da União Soviética e também valores importantes à filosofia socialista.

Um dos monumentos retratos nos postais é o monumento “Operário e Mulher Kolkhoz” (ou kolkosiana, dependendo da tradução para o português), uma obra colossal criada em 1937 pela artista Vera Mukhina. O trabalho mostra um homem segurando um martelo – representando os operários urbanos – e uma mulher com uma foice – representando os camponeses. Juntos, os dois formam o símbolo do socialismo além de representarem a igualdade de gênero. A importância dessa obra transcende as questões políticas. Trata-se da primeira estátua do mundo a ser feita em metal soldado. Esse trabalho também definiu o padrão do Realismo Socialista na arte monumental, retratando pessoas comuns com um caráter heróico.  

O fato da URSS ter enviado para o espaço o primeiro satélite artificial – o Sputnik, em 1957 – e o primeiro ser humano – Yuri Gagarin, em 1961- são lembrados com orgulho até hoje. Em um dos postais retrato o “Monumento aos Conquistadores do Cosmos”, construído em 1964, em homenagem aos avanços do programa espacial soviético. Outro postal mostra uma estátua chamada “Sputnik”: um operário segurando imponentemente uma réplica do satélite homônimo, representando que a conquista não foi apenas dos cientistas, mas de todo o povo; mais um ótimo exemplo do Realismo Socialista nas artes.

O quarto postal mostra uma das muitas estátuas de Vladimir Lennin que ainda estão em Moscou. Muito pode se discutir sobre a política comunista, mas a importância histórica de Lennin é inquestionável, ele foi um os responsáveis por uma das maiores revoluções da história.

Por conta da realização e “Abandonamento”, visitei vários lugares abandonados na região de Moscou e em Nizhny Novgorod. A Monica Toledo tem um trabalho muito bacana sobre o resgate de memórias através de ruínas e vestígios e, já há algum tempo, vínhamos conversando sobre criarmos um trabalho juntando nossas pesquisas. No ano passado, ela foi para Detroit, daí tivemos a seguinte ideia: juntar em um trabalho Detroit – a cidade que foi símbolo do capitalismo industrial estadunidense e hoje está em decadência) e Moscou – a antiga capital da União Soviética e que até hoje parece estar em transição – para mostrar que ninguém está imune ao abandono e esquecimento.


Coincidentemente nesta edição da LIDA temos um trabalho que dialoga com seu documentário Orquestra do som cego. Conte-nos sobre o projeto, como foi a estadia na Alemanha:

Foi uma experiência inesquecível. Na época (2008) eu trabalhava junto com o músico Livio Tragtenberg nesse projeto musical “Orquestra do Som Cego” e o grupo foi convidado para se apresentar em Berlim. O Livio viajou antes e, quando percebi, estava fazendo minha primeira viagem para fora do Brasil e sendo responsável por acompanhar dois músicos cegos. Então acabou sendo uma experiência nova para todos nós, cada um foi percebendo as coisas do seu jeito.

Eu já vinha gravando os ensaios e apresentações do grupo aqui no Brasil e gravei também todas as etapas da viagem à  Alemanha. Esse processo resultou no documentário “Orquestra do Som Cego”.


No mês de setembro, você estará estreando o filme Edmur e o Caminhão  onde você e seu pai, caminhoneiro aposentado, viajam em busca de um dos primeiros caminhões dele. Conte-nos sobre o projeto, quanto tempo durou a viagem:

Essa viagem parece ter durado a vida toda rsrs. Eu tinha a ideia de fazer esse filme há quase dez anos. Comecei a gravar algumas coisas mas sem previsão de ter o filme pronto. No inicio do ano, o projeto foi comissionado pelo Canal Futura para fazer parte do Doc Futura, uma série de documentários curta-metragem. Logo depois começamos as filmagens pra valer.

No filme, acontecem duas buscas em paralelo: uma pelo caminhão e outra por memórias. Ao mesmo tempo que procuramos outros proprietários do caminhão também fomos atrás de lembranças familiares que envolviam o caminhão e o universo rodoviário. A filme ainda está no primeiro corte, mas estou bem satisfeito com o resultado. Envolver a própria família em um filme não é tão simples quanto parece.

***

O acesso a lida é gratuito. Assine e confira na quarta edição a a série Postais Soviéticos e os vídeos Ruínas|Ruídos – De Detroit a Moscou.

Entrevista Morru

Fizemos uma entrevista com Morru, participante da lida_003. Leia o que ele diz e não esqueça de conferir os trabalhos nessa edição.


Como iniciou sua relação com as artes visuais e qual sua trajetória na profissão
?

Devido a minha trajetória em escola pública, eu não tinha conhecimento de arte alguma. Amava desenhar, ver coisas presentes na mídia, mas desconhecia o que era arte até entrar na faculdade de Artes Visuais, onde descobri e experienciei pela primeira vez o que era arte. A partir daquele momento, decidi ser Professor Artista, para poder trazer a arte para a realidade da escola pública, com todas suas provocações, e poder trazer provocações afetivas que acercam minha vida para dentro do meio da arte e dos espaços expositivos, com minhas obras.

Já passei por feiras universitárias, exposições coletivas como o Armazém e o Lote 7, além de meu maior meio de divulgação que é o instagram.


Fale um pouco sobre os trabalhos apresentados para a revista?

A série “Afeta-se” parte de afetos brutos traduzidos para o papel. Ou seja, são palavras, textos, desenhos, sombras e formas que traduzem sensações, questionamentos e sentimentos que vivencio naqueles momentos e de maneira crua os traduzo para uma folha, com toda sua potência. É a série mais longa em que venho trabalhando, estando desde 2015 em sua produção e contando com mais de 130 produzidos.

O vídeo “ansiedade” partiu da provocação da artista Telma Scherer ao pedir que traduzíssemos algo para algo. A ansiedade é algo presente em minha vida a todo segundo, inclusive no “afeta-se”, e a ansiedade é uma sensação constante de sufoco, de pensamentos, de pouca espera. Traduzido para uma visualidade, me sufoco nas próprias palavras que escrevo, em minha obra.


Quais as perspectivas que você vê para arte e o uso das tecnologias digitais, fale como você utiliza a tecnologia para expor seu trabalho e se isso tem lhe favorecido?

Dos trabalhos apresentados, o “afeta-se” tem seu principal meio de circulação o digital através do Instagram. Acredito que as ruas e as redes sociais são meios mais acessíveis de se ver arte e ser provocado por ela, ainda que ao mesmo tempo não se permita o tempo de espera, de fruição, de experienciação, temos um tipo de aproveitamento acelerado. Vejo vários artistas visuais que hoje em dia vem utilizando das plataformas digitais para expor seu trabalho, e vários outros que adaptam seus trabalhos a versão digital.

Acredito que as tecnologias estão ai para os mais diversos avanços, desde o uso de projetores para os espaços expositivos ou no meio da cidade, até obras que se movem com sensores ou webartes totalmente digitais. O mundo da arte na tecnologia digital está em expansão, sem caminhos definidos com certezas mas o tempo todo mostrando sua presença e sinais de “evolução”.